A Executiva estadual do PRP deve encaminhar nos próximos dias ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) ofício em que vai comunicar a expulsão do vereador Rodrigo Gouvêa dos quadros do partido, já com pedido de posse imediata na Câmara de Londrina do primeiro suplente, o advogado Zaquel Berbel. A afirmação foi feita ontem pelo presidente estadual do PRP, Jorge Luiz Martins, após a decisão proferida do diretório, na véspera, que definiu pela expulsão do parlamentar, acusado de infidelidade partidária.
A relatoria do processo disciplinar apontou que o vereador teria ferido os princípios da fidelidade ao partido ao ter manifestado apoio, no novo segundo turno, à candidatura de Barbosa Neto, do PDT, contra Luiz Carlos Hauly, do PSDB, partido com o qual o PRP se coligara desde o primeiro turno.
No parecer da relatoria que foi aceito por unanimidade - sete votos - pela comissão de ética do partido, foram anexadas, além da defesa do parlamentar, documentos que provariam a infidelidade aludida.
Gouvêa poderia ter feito ele próprio sua defesa oral na sessão de julgamento, mas a tarefa coube a seu advogado Alberto Melhado Ruiz, segundo este, por orientação da própria Executiva. ''Foi inteligente da parte do vereador mandar o advogado, porque ele é muito novo e, de repente, as coisas que são faladas em uma reunião dessas podem torná-lo um pouquinho mais indisciplinado'', admitiu Martins.
Segundo o presidente estadual do partido, basicamente três tipos de documentos subsidiaram o parecer do relator: a ata de criação da coligação de partidos da qual o PRP fez parte; cópias de três cheques fornecidas pelo diretório à campanha do vereador, como ajuda de custo - valor que ele não soube precisar -; e fotos de carros em que Gouvêa, já eleito, aparece em campanha para Barbosa.
''Aceitar dinheiro de sua coligação para se investir na própria campanha é prova irrefutável da aceitação tácita dessa coligação'', afirmou Martins. Se o partido se sentiu traído ou enganado? ''Não, fui é pego de surpresa e fiquei magoado, pois a Justiça Eleitoral de primeira instância definiu que as coligações no novo segundo turno deveriam ser mantidas. Quando você se elege, tem que servir, muito mais, do que pensar em ser servido. O eleito não tem um chefe, mas uma sociedade inteira como patrão dele'', discursou.
Martins garantiu que as duas ações que correm na Justiça de Londrina contra o vereador - uma civil pública e uma penal; ambas, referentes a suposta cobrança de propina contra um empresário - não influenciaram a decisão da comissão de ética, anteontem.
Após a definição pela expulsão, o advogado requereu que a Executiva estadual remeta à nacional apelação contra a decisão regional. Se o PRP do Paraná aceitaria, por exemplo, eventual reforma do resultado, caso viesse a ser sugerida pelo diretório nacional? ''Historicamente isso nunca aconteceu, não vai acontecer. Mas nossa comissão de ética é soberana - abrir essa possibilidade à defesa nada mais é que uma obrigação de um dirigente de se precaver, ou seja, de garantir a ampla defesa e o contraditório à parte'', resumiu.
A FOLHA tentou contato com Gouvêa, mas ele não foi localizado. O advogado do vereador confirmou que até semana que vem deve ingressar a apelação ao diretório nacional do PRP. Na avaliação dele, o parlamentar não traiu os princípios partidários. ''Ele se sentiu liberado para apoiar o Barbosa em função de uma reunião na Executiva municipal provisória, dias antes do pleito, manifestando apoio apoio ao candidato'', definiu.
Questionado se uma posição partidária não está baixo do que apregoa, por exemplo, a Justiça Eleitoral, Ruiz admitiu que sim. ''Mas não acredito que isso vá dificultar o entendimento de que não houve infidelidade partidária'', concluiu.

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