FHC e Carlos Menem vão se reunir no próximo dia 12, provavelmente em São Paulo, para discutir os reflexos da desvalorização do real sobre a economia argentina. O encontro poderá ter a presença dos demais parceiros do Mercosul, presidentes Julio Maria Sanguinetti (Uruguai) e Raúl Cubas (Paraguai).
No início da próxima semana desembarcará em Brasília uma missão argentina, chefiada pelo secretário de Indústria, Alieto Guadagni, e pelo secretário de Relações Econômicas Internacionais, Jorge Campbell. Entre os parceiros, a Argentina é a mais afetada pelas mudanças.
O comércio intra-Mercosul depois das mudanças cambiais no Brasil será o tema prioritário da reunião. Mas os presidentes também deverão reiterar o compromisso de aprofundamento da integração. O aumento das exportações e a queda das importações brasileiras dos vizinhos são o foco das preocupações.
A Argentina deverá reivindicar algum tipo de compensação do Brasil para neutralizar os efeitos da desvalorização do real. Uma idéia é o fim dos financiamentos do Proex (subsídios) para os produtos exportados aos parceiros.
Com a desvalorização do real, os produtos brasileiros se tornaram mais competitivos do que os fabricados pelos parceiros do Mercosul. Ao mesmo tempo, os vizinhos vão exportar menos para o Brasil por causa da recessão da economia prevista para 99.
Na Argentina, por exemplo, duplicou nos últimos 15 dias a média diária das importações que chegam àquele país oriundas do Brasil. Ao mesmo tempo, os empresários argentinos estão preocupados com a queda das exportações para o Brasil, que atualmente consome cerca de 30% das vendas externas da Argentina.
As projeções argentinas indicam que as importações de produtos argentinos pelo Brasil vão cair este ano. Os bens de consumo duráveis e automóveis deverão ser os mais afetados - com quedas de cerca de 40%.

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