Deve se aprofundar, a partir desta semana, a crise interna do PMDB. A convocação para 8 de março da Convenção Nacional que decidirá se o partido terá ou não candidato próprio à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso vai acelerar as movimentações de governistas e não-governistas na disputa pelo comando de uma legenda ainda apontada como estratégica na definição do equilíbrio de forças para as eleições de outubro.
O presidente do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), procurou demonstrar na sexta-feira que está em sintonia com os três presidenciáveis do partido: o ex-presidente Itamar Franco e os senadores Roberto Requião (PR) e José Sarney (AP). ‘‘Eles estão solidários com a definição da data da convenção’’, afirmou Paes.
Com a data marcada, o presidente do PMDB evitou fazer previsões sobre o desfecho da luta interna pelo comando do partido. ‘‘Não vou adivinhar nada até lᒒ, esquivou-se. A definição da postura do PMDB vem sendo aguardada com ansiedade tanto pelo governo quanto pelos partidos de oposição. Os governistas apostam no apoio à reeleição de Fernando Henrique e na continuação do apoio que o partido já dá ao governo. Mas, caso o PMDB aposte em uma candidatura própria, até os partidos de esquerda poderão rever os seus planos para as eleições presidenciais. ‘‘Teríamos que avaliar o novo quadro’’, admitiu o presidente nacional do PT, José Dirceu, ao comentar a hipótese após um encontro, em Brasília, com o governador pernambucano Miguel Arraes, para conversar sobre a possibilidade de formação de uma frente de esquerda para as eleições presidenciais.

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