Provocações começaram no lado de fora
Lúcio Horta
De Londrina
O tumulto na Câmara de Londrina ontem à noite foi precedido de um clima bastante tenso. Antes do início da sessão, manifestantes pró e contra o prefeito Antonio Belinati (PFL) ficaram praticamente juntos, no lado externo do prédio, e por pouco não houve confronto. Pelo menos em uma oportunidade a Polícia Militar teve que intervir para separar os dois grupos, usando um cordão de isolamento.
O grupo mais barulhento era o que defendia o prefeito. Eles chegaram em 17 ônibus da TIL, vindo de dezenas de ocupações e bairros carentes da cidade. Inicialmente, se posicionaram na entrada principal da Câmara, em frente à prefeitura. Por volta das 13 horas, no entanto, se deslocaram para a entrada do estacionamento, onde estavam os manifestantes que pediam a saída de Belinati.
Além das tradicionais bandeiras e faixas defendendo o prefeito, os manifestantes em favor de Belinati contavam com pelo menos duas baterias de escolas de samba, uma delas a da Unidos do Jardim do Sol. Lucindo Carli, presidente da Associação de Moradores do bairro e integrante da escola, disse que os moradores não estavam ganhando nada pela batucada.
Os dois grupos ficaram próximos até por volta das 14 horas. A partir daí, os manifestantes favoráveis a Belinati aceleraram o ritmo da bateria e avançaram aos poucos sobre os adversários. Palavras de ordem eram lançadas de lado a lado. Alguns mais exaltados chegaram a ofender pessoas que pediram o afastamento do prefeito. A vereadora Elza Correia (PMDB) só conseguiu entrar no local protegida pela polícia.
Foi quando a PM resolveu intervir e separou os dois grupos. O barulho continuou por mais meia hora, quando começou a chover e a batucada cessou. Depois do início da sessão, o grupo em favor de Belinati voltou a ocupar a entrada principal da Câmara, de frente para a Prefeitura. Uma viatura da PM ficou perto do local para evitar tumultos.
Ele (Belinati) mesmo acusado de ter pego dinheiro, como dizem, fez muita coisa por nós. Somos a favor dele, que foi na favela e se preocupou com a gente. Por isso a gente veio aqui, disse Maria de Lourdes Barbosa, que estava no grupo que defendia o prefeito. Ela confirmou que chegou à Câmara em um ônibus da TIL.
O presidente da Federação de Favelas, Núcleos e Assentamentos de Londrina, José Ricardo da Silva, disse que desta vez o pagamento pelo fretamento dos ônibus foi feito com uma vaquinha entre as associações de Londrina. O custo cobrado pela TIL foi de R$ 1,5 mil. Cada presidente de associação é membro da Federação, então é fácil se ajuntar, justificou. Na terça-feira, os ônibus que a Federação alega ter fretado foram pagos, segundo Silva, com dinheiro da Federação.





