Provocação de FHC gera guerra de números entre senadores
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quinta-feira, 07 de outubro de 2004
Fernanda Krakovics<br>Folhapress 
Brasília - Provocados pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), governo e oposição promoveram ontem uma guerra de números no plenário do Senado, mostrando cada um deles que os indicadores econômicos de sua gestão são melhores. Como pano de fundo está a eleição para a Prefeitura de São Paulo, polarizada entre Marta Suplicy (PT) e José Serra (PSDB).
FHC propôs anteontem, em São Paulo, que o eleitor da cidade comparasse seu governo ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em aspectos como acesso à educação e à telefonia nos dois primeiros anos de mandato de cada um.
O primeiro a subir à tribuna foi o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), para comparar os 18 primeiros meses de cada governo. O senador concluiu que em qualquer indicador econômico o desempenho do atual governo está ''bem superior'' ao do anterior.
Em resposta, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) fez um discurso rebatendo o petista e revelando outros números nas mesmas áreas. ''Manipulação de dados não é honesto e afronta a inteligência das pessoas'', disse o tucano.
Mercadante também afirmou que o PSDB escondeu o ex-presidente durante o primeiro turno da campanha eleitoral, enquanto o presidente Lula estaria sendo disputado pelos candidatos petistas. Antes de subir à tribuna, o senador afirmou que FHC não está na campanha porque seu índice de rejeição seria muito alto, não atraindo votos.
Os 14 indicadores listados por Mercadante traçam um panorama sobre inflação, mercado de trabalho, finanças públicas, comércio exterior e atividade econômica. Citando o IBGE, por exemplo, ele disse que nos primeiros 18 meses do primeiro mandato de FHC (1994-1998), a inflação acumulada medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) era de 30,4%. No mesmo período do governo Lula esse índice é de 13,1%. O levantamento também mostra os 18 meses finais do segundo mandato tucano (1998-2002), quando o IPCA seria de 17,7%.
Por sua vez, Alvaro Dias disse, por exemplo, que o trabalhador brasileiro sofreu no Governo Lula a maior queda de renda dos últimos seis anos. No Governo FHC a renda média, de acordo com o senador, seria em torno de R$ 1.045 e teria caído para cerca de R$ 820 na atual gestão. ''Se descontarmos a inflação, tivemos queda de mais de R$ 700 para cerca de R$ 600, portanto uma queda superior a 7%'', afirmou Dias.
Mercadante também afirmou que o país melhorou na área social. O Palácio do Planalto tem sido acusado de transformar ações de transferência de renda em assistencialismo.


