'Provem que sou culpado', desafia Lula à força-tarefa
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
Folhapress 

São Paulo - Após ser denunciado por força-tarefa da Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez pronunciamento na tarde dessa quinta-feira (15), em encontro com a imprensa em São Paulo. Ao lado de aliados do partido, ele reafirmou sua inocência e disse que, caso comprovado contra ele qualquer ato de corrupção, iria a pé até a delegacia, "como os fiéis vão até Aparecida do Norte para pagarem seus pecados".
Durante a declaração, Lula contou histórias, fez piadas com referência à fala do procurador da República Deltan Dallagnol e chegou a pedir aos petistas que vestissem vermelho pelo "orgulho que têm pelo partido".
Emocionado, o ex-presidente diz que "conquistou o direito de andar de cabeça erguida" e pediu respeito à sua família. "Querem me investigar? Que me investiguem. Eu só quero que sejam verdadeiros comigo. Eu só quero que respeitem a dona Marisa."
O estilo da fala do ex-presidente, com momentos de choro, piadas e ataques aos que ele considera seus adversários lembram seu pronunciamento após ser conduzido coercitivamente para depor, em março deste ano.
Lula busca se defender em um dos momentos de mais fragilidade de sua vida política. Pesquisa Datafolha de julho mostrou que 46% dos eleitores rejeitavam o nome do petista para e eleição presidencial de 2018 o maior índice entre os candidatos pesquisados. O número já foi maior: 57% em março.
Lula foi denunciado na quarta-feira (14) pela força-tarefa da Lava Jato sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro. Os investigadores afirmam que o petista comandou o esquema de corrupção na Petrobras e atuou, junto com a empreiteira OAS, no desvio de ao menos R$ 87,6 milhões da estatal.
Após apresentação da denúncia da Lava Jato, sua defesa a classificou como "truque de ilusionismo".
OUTRO LADO
Em uma palestra na tarde dessa quinta-feira (15), um dia depois de apresentada a denúncia contra o ex-presidente Lula, o procurador Deltan Dallagnol afirmou que "é natural que, depois de uma acusação, venha uma reação". "Hoje é um dia um pouco tumultuado", disse o procurador, que apontou Lula como "o comandante máximo" do esquema de corrupção na Petrobras.
Desde quarta, a apresentação da denúncia do MPF contra Lula tem sido alvo de críticas por defensores do ex-presidente, que dizem que os procuradores não têm provas, mas apenas convicções.
Até mesmo os slides de Dallagnol, que apontam Lula como o centro de um esquema criminoso, foram satirizados nas redes sociais.
Coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, Dallagnol brincou: "Eu decidi não usar nenhum slide hoje", disse à plateia da Semana da Democracia, em Curitiba.
Num tom bem mais ameno, o procurador lembrou as reações de investigados às denúncias de fases anteriores da Lava Jato, em especial na que investigou a empreiteira Odebrecht. "Na época, convocaram uma coletiva para falar que não tínhamos mais que indícios e presunções", afirmou Dallagnol, que disse que essa é "uma estratégia de comunicação".
FURACÃO
O procurador afirmou que as críticas "não surpreenderam" a força-tarefa. "É natural que pessoas investigadas reajam, e quando elas são poderosas econômica e politicamente, a reação toma um vulto", disse. Dallagnol disse que a força-tarefa atua "no meio de um furacão", que "levanta ânimos e acende paixões", mas que é formada por "técnicos que estão fazendo seu trabalho e tentando transmiti-lo para a sociedade".
Membros da força-tarefa lamentaram a repercussão negativa de alguns trechos da entrevista coletiva dea quarta (14), mas reafirmavam a confiança nas provas da investigação.


