Provável delator, ex-diretor do DER-PR deixa a prisão
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terça-feira, 29 de maio de 2018
Guilherme Marconi<br>Reportagem Local 

O ex-diretor-geral do DER (Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná), Nelson Leal Júnior, deixou a carceragem da Superintendência Federal do Paraná, em Curitiba, na tarde de segunda-feira (28), mas passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica. Leal e outras seis pessoas foram presas no final de fevereiro na 48ª fase da Operação Integração, que mirou desvios nos contratos do pedágio do grupo Triunfo/Econorte, empresa que administra praças de pedágio no norte do Paraná.
Em abril, o ex-diretor do DER incorporou na sua defesa os advogados Tracy Reinaldet e Gustavo Sartor, que são especialistas em delações premiadas. Inicialmente, ele estava preso no complexo penal de Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), mas foi transferido para a sede de PF, um indicativo de que estaria firmando acordo de colaboração.
Procurado pela FOLHA, Reinaldelt disse que "não comenta casos em andamento" e não confirmou o suposto acordo de colaboração com a Justiça. A assessoria do MPF (Ministério Público Federal) informou, em nota, que não irá se manifestar neste sentido. "O MPF não faz comentários sobre supostas colaborações ou negociações de acordos ou mesmo homologações, se elas ocorreram ou não."
DESVIO NOS PEDÁGIOS
Nelson Leal Júnior é apontado como o principal responsável pelo esquema fraudulento no órgão estatal. Conforme aponta a denúncia, ao mesmo tempo viabilizava dentro do DER os aditivos favoráveis à concessionária Econorte. De acordo com o MPF, o pedágio cobrado nas rodovias da Econorte era mais caro do que o estabelecido em contrato por causa da corrupção. Ele foi denunciado por lavagem de dinheiro, corrupção passiva, estelionato e organização criminosa. De acordo com a Receita Federal, R$ 56 milhões foram desviados em três anos no esquema.
Os promotores também consideraram que o réu tinha gastos incompatíveis com a renda declarada. Em Balneário Camboriú, Santa Catarina, Leal Junior teria comprado um apartamento de luxo por mais de R$ 2,5 milhões. A acusação apontou que a aquisição do apartamento teria ocorrido de forma oculta, com pagamentos de aproximadamente R$ 500 mil em espécie. A compra do imóvel, na denúncia oferecida, foi descrita como um ato de lavagem de dinheiro praticado por Leal. Ele foi afastado da diretoria do DER e negou as acusações em depoimento.
Londrina
O diretor da Econorte/Triunfo, Helio Ogama, que foi preso em fevereiro em Londrina, permanece sob custódia. Já o administrador da Rio Tibagi Engenharia (empresa do grupo), Leonardo Guerra, responde ao processo em liberdade. O MPF considerou suspeita a adquisição de 40 imóveis em Londrina entre 2011 e 2013 feitas por Guerra. Na residência de Hélio Ogama os policiais apreenderam documentos suspeitos. O advogado Rodrigo Antunes, que defende Guerra, informou na fase de instrução do processo que "será o momento que o Leonardo poderá apresentar efetivamente sua defesa e demonstrar sua inocência." As testemunhas do caso começam a ser ouvidas pelo juiz Sergio Moro no dia 19 de junho. A defesa de Ogama não foi localizada.


