PROVA DE ESCOLARIDADE - TRE aplica 'vestibular eleitoral'
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de julho de 2004
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os 38 candidatos a vereador em Curitiba que fizeram o exame de equivalência da 4 série do 1º grau tiveram um pouco de dificuldade para responder a todas as questões. O exame é exigido pela Justiça Eleitoral para que as candidaturas deles sejam validadas, pois conforme a legislação os analfabetos são inelegíveis. Eles foram obrigados a fazer o exame porque não comprovaram ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), através de documentos, que não são analfabetos. O TRE deve divulgar o resultado do teste na segunda-feira.
Fernando Gomes (PTB), comentarista esportivo do programa Mesa Redonda, da CNT, disse que o teste não foi difícil, mas nem por isso fácil. Ele disse que não deve ter acertado todas as questões. ''Precisa ter conhecimentos básicos'', afirmou. Gomes disse que não ficou incomodado por fazer o teste. Ele explicou que não pôde comprovar escolaridade através de documentos pois estudou no Rio Grande do Sul e sua escola fechou há muitos anos. ''Fiz o 1º e o 2º graus lá'', contou.
Dilson Medeiros, candidato pelo PV, estudou até o segundo grau e foi o primeiro a concluir o exame, em cerca de 45 minutos. ''Tudo requeria atenção'', disse. Medeiros, porém, não considerou a prova difícil. ''Para a pessoa que se informa, é tranquilo'', comentou na saída da sala de Múltiplo Uso I do TRE, onde os candidatos fizeram o exame. Ele considera importante que os candidatos prestem o exame. ''Acho bom. E manda quem pode e obedece quem tem juízo'', brincou.
Marcelo Barbosa (PL) considerou as questões de geografia as mais difíceis. Barbosa avalia que o estudo não garante, necessariamente, a qualidade de um vereador como representante da população no poder legislativo. ''Se tiver boas idéias e boas intenções é melhor'', afirmou.
''A escolaridade é um dos requisitos para o registro da candidatura. A lei não especifica qual o grau de escolaridade necessário, mas o candidato não pode ser analfabeto'', explicou o juiz D'Artagnan Serpa Sá, da 1 Zona Eleitoral.
No total, 39 candidatos deveriam ter feito o exame na tarde de ontem, mas houve uma falta. Floripa Ferreira, do PSC, não foi mas apresentou atestado médico. Ela terá que fazer a prova outro dia, em data a ser marcada. Inicialmente, a Justiça Eleitoral informava que 38 candidatos seriam submetidos à prova. Porém, 39 foram notificados.


