Policiais militares e manifestantes que estavam do lado de fora da Assembléia Legislativa transformaram o Centro Cívico numa praça de guerra. Os confrontos se estenderam por toda a tarde. O caso mais grave aconteceu por volta das 17 horas. A fachada do prédio do Tribunal de Justiça (TJ), que é de vidro, foi alvo de pedras e rojões lançados por punks e estudantes secundaristas. Cerca de 50 vidros foram quebrados e três carros danificados. A confusão durou cerca de 15 minutos até a PM isolar o prédio.
Cinco manifestantes, segundo a polícia, cerca de 20, conforme os líderes do protesto, e 14 policiais militares ficaram feridos durante os confrontos. Outros quatro estudantes foram presos pelos PMs por causa do quebra-quebra no TJ. Mesmo rendidos, segundo testemunhas, eles foram agredidos por policiais numa viatura estacionada nos fundos da Assembléia. Desde a chegada dos três carros de som e dos primeiros manifestantes ao Centro Cívico, por volta do meio-dia, as escaramuças entre policiais e manifestantes se tornaram comuns. A primeira teria ocorrido porque a PM tentou impedir que os veículos se aproximassem da Assembléia.
O caminhão de som do Sindicato dos Bancários teve o pára-brisa quebrado por um policial militar. Depois que os veículos conseguiram estacionar, houve uma trégua que durou até as 14h30. A partir daí, manifestantes derrubaram as grades da praça Nossa Senhora de Salete, próximo ao Tribunal do Júri. A multidão tomou conta o estacionamento, que fica a pelo menos 200 metros do Palácio Iguaçu, sede do governo do Estado.
Os policiais conseguiram formaram um cordão de isolamento e foram atingidos por paus e pedras lançados pelos manifestantes. Em resposta, os PMs avançaram contra a multidão. A perseguição chegou até as imediações da avenida Cândido de Abreu, em frente às sedes da Prefeitura e do Tribunal de Alçada. O tumulto durou cerca de 40 minutos. Líderes do protesto contra a venda da Copel tentavam acalmar os ânimos dos manifestantes, na maioria adolescentes de escolas públicas da Capital.
A calmaria durou apenas 10 minutos. O tumulto recomeçou no estacionamento do TJ. Um grupo de estudantes arrancou cordas que delimitavam o acesso ao Palácio da Justiça, alguns PMs se aproximaram para impedir, mas foram recebidos com uma nova chuva de pedras e paus. De novo, líderes do protesto e os próprios manifestantes tentaram acalmar os ânimos, mas a disposição de enfrentamento era maior. O último confronto aconteceu no final da tarde em frente ao Tribunal de Justiça.
Um grupo de punks decidiu ''invadir'' o Palácio da Justiça, sede do Poder Judiciário no Estado. Houve discussão com manifestantes contrários à invasão. Apoiados por estudantes, os punks lançaram pedras e rojões contra a fachada do TJ, quebrando vidros e destruindo três automóveis. As bandeiras do Brasil e do Paraná hasteadas em frente ao TJ foram retiradas pelos manifestantes. Os PMs permaneceram perfilados para evitar o acesso a Assembléia e ficaram assistindo ao quebra-quebra. Só com a chegada de reforço, é que o prédio do TJ foi cercado pela polícia. (Colaboraram Ellen Taborda e Israel Reinstein)

mockup