A comitiva do premier britânico Tony Blair deverá enfrentar hoje de manhã manifestações ‘‘antineoliberais’’, previstas para serem realizadas na entrada do Parque Iquaçu, e ainda encarar a ‘‘mágoa’’ da população argentina, ressentida há 19 anos desde a Guerra das Malvinas.
Em uma reunião realizada ontem, os integrantes do Fórum de Luta por Terra, Trabalho, Cidadania e Soberania (organização que reúne 49 entidades) decidiram protestar contra o encontro dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Fernando De la Rúa com Blair. Nem o governador do Estado, Jaime Lerner, vai escapar do ‘‘repúdio aos responsáveis pelo modelo responsável pela falência das empresas nacionais, aumento do desemprego e também da dívida externa’’ dos dois principais países do Mercosul.
Em carta aberta à população, o Fórum criticou ainda o ‘‘caos nas economias do Brasil e Argentina, onde se alastram a miséria por toda a população’’. O início do protesto está marcado para às 9 horas e será realizado na BR-469, conhecida como ‘‘Rodovia das Cataratas’’. Centenas de manifestantes, entre sindicalistas, universitários, integrantes de pastorais e de partidos políticos de esquerda, devem bloquear o ‘‘Trevo Carim㒒 que dá acesso ao aeroporto, Parque Iguaçu e também à aduana argentina, distante 10 quilômetros de Foz.
Protestos também são esperados em Puerto Iguazú, cidade argentina onde De la Rúa e Blair devem se reunir à portas fechadas. Os principais sindicatos do país vizinho iniciaram ontem uma greve nacional, principalmente contra o pacote de ajuste fiscal apresentado no dia anterior pelo ministro Domingo Cavallo.
Ontem, em São paulo, Blair também foi abordado por ativistas da Organização Não-Governamental Greenpeace, logo após chegar ao Jardim Botânico, em São Paulo, para encontro com o governador Geraldo Alckmin. Os ativistas invadiram a área reservada às autoridades com uma faixa com os dizeres ‘‘Tony Blair cumpra suas promessas’’. (E.D.)

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