Protestos deixaram governo perplexo
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sábado, 25 de janeiro de 2014
Elder Ogliari<br>Agência Estado 
Porto Alegre - O secretário geral da presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, admitiu que governo e movimentos sociais aliados ficaram "perplexos" com os protestos de junho do ano passado, quando milhares de pessoas foram às ruas pedir qualidade no serviço público e expressar contrariedade com a Copa do Mundo no Brasil. Ao mesmo tempo afirmou que a direita "inicialmente fez festa" por entender que as manifestações se configuravam como contrárias à administração federal.
As avaliações foram apresentadas à plateia de uma das atividades do Fórum Social Temático Crise Capitalista, Democracia, Justiça Social e Ambiental ontem em Porto Alegre, a conferência "Contra o Capital, Democracia Real", da qual também participaram, como palestrantes, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), e representantes de organizações não governamentais do Brasil, França, Marrocos e África do Sul.
Para Carvalho, as políticas de distribuição de renda e estímulo ao consumo do governo federal não foram acompanhadas na mesma velocidade por um debate sobre um modelo de desenvolvimento diferenciado. Mas eram necessárias porque a população padecia sem acesso a produtos básicos, como geladeiras e equipamentos domésticos. "É evidente que, junto com melhor emprego e melhores salários vem a consciência de novos direitos", observou, para avaliar que, depois dessas conquistas, muitos brasileiros perceberam que têm direitos e passaram a reivindicá-los.
Na perplexidade, Carvalho chegou a reconhecer que houve uma certa dor e incompreensão em algumas esferas do governo. "Houve quase que um sentimento de ingratidão, de dizer fizemos tanto por essa gente e agora eles se levantam contra nós", recordou. O ministro destacou, no entanto, que o governo fez o esforço de compreender a realidade, de dialogar com a nova cultura que surgia, e respondeu com programas de melhorias da mobilidade urbana.
"Não podemos ter medo, temos de romper barreiras, nos aproximar e conversar", afirmou, dando uma estocada em quem acredita ter feito festa à época. "O problema, para infelicidade da direita, é que esse gosto do mais e do mais não cabe na cartilha do sistema; a explosão dessa demanda de direitos não cabe no sistema capitalista e nos marcos daquilo que é hoje o mundo globalizado em seus sistemas de produção, distribuição e consumo", comentou.


