Protestos anti-corrupção ficam restritos ao mundo virtual
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sábado, 25 de julho de 2009
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A sociedade brasileira parece inerte diante dos escândalos de corrupção na política. Nas ruas, os protestos organizados contra a permanência de José Sarney (PMDB/AP) na presidência do Senado, por exemplo, não ganham adesão suficiente a ponto de chacoalhar Brasília. Mas há um outro movimento de reação aos acontecimentos políticos, só que restrito à internet. Usuários da rede mundial de computadores alimentam comunidades virtuais com informações sobre as supostas irregularidades envolvendo o peemedebista. Só as comunidades Fora Sarney e Xô Sarney, inscritas no Orkut, registravam até a última sexta-feira a adesão de quase 7 mil pessoas. Tem gente que também resolveu tirar fotos de bigode, numa alusão ao político do Maranhão, para colaborar com um site na internet criado só para expor as imagens. Mas o que significam os protestos que se restringem ao mundo virtual? Eles têm algum efeito concreto ou são fruto de um comportamento ligado à inércia?
Para o cientista político Ricardo Caldas, da Universidade de Brasília, o efeito dos protestos na internet é zero. Protesto na internet não é movimento social. São só ações individuais organizadas, opina ele. Para Caldas, ações do tipo na internet não podem substituir os movimentos sociais, justamente por conta do efeito zero. Pode ser que haja um pequeno efeito quando as manifestações chegam até o político. Por exemplo: quando as pessoas mandam mensagens para o político a ponto de entupir a caixa de entrada dele. Daí a gente pode considerar o início de um pré-movimento social, pondera ele.
Os movimentos restritos à internet refletem a passividade do brasileiro? Totalmente. E a passividade do brasileiro é cultural. Brasileiro é desorganizado. Ele só se mobiliza quando percebe um ganho claro e imediato. Campanha salarial, por exemplo. Mas quando o assunto é de interesse público do País não há mobilização, acredita Caldas. Para o cientista político, a passividade ocorre também por conta de uma descrença em relação aos políticos. O brasileiro acha que todo político é corrupto. Um a mais, um a menos, não faz diferença. É uma visão de alguém descrente mesmo.
No Brasil, a ausência de um componente partidário influenciaria no atual cenário. Caldas destaca que nos protestos de rua organizados contra o ex-presidente da República Fernando Collor de Mello havia um partido político, o PT, dando força às mobilizações. O mesmo ocorreu no movimento das Diretas Já, considerado suprapartidário. A União Nacional dos Estudantes (UNE), hoje afinada com o governo federal, também foi fundamental nas manifestações contra o regime militar. As mobilizações dependem de um elemento partidário que hoje não está presente. A oposição também está comprometida. Porque o problema do discurso anti-corrupção é que todos estão comprometidos. O brasileiro também declarou um valor mais baixo no seu Imposto de Renda. Ele também contrataria um parente se pudesse, afirmou o cientista político.


