Protestos ameaçam governo de Chávez
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quinta-feira, 11 de abril de 2002
Das Agências 
Caracas O presidente venezuelano Hugo Chávez mandou reforçar o policiamento militar em torno do palácio presidencial de Miraflores, como proteção contra os participantes de marcha organizada pela oposição, que o quer tirar do poder.
Esta gente não vem trazer nenhum documento, acha que vai chegar aqui e tirar o presidente pensando que as Forças Armadas vão apoiar uma insurreição (...) essa marcha não pode chegar até aqui, já havendo milhares de pessoas do lado de fora, isso não se pode permitir, disse o presidente em mensagem à nação.
Hugo Chávez também determinou a suspensão das transmissões de três redes de televisão privadas, sob a acusação de instigarem a violência. O anúncio da intervenção nas televisões foi feita por Chávez durante o pronunciamento, que teve divulgação obrigatária em todas emissores de rádio e tV do país.
Imprensa Um jornalista morreu baleado nos confrontos de ontem no centro de Caracas entre guardas nacionais e manifestantes. Ele foi identificado como Jorge Tortoza, fotógrafo do jornal 2001. Os tumultos começaram quando o presidente Hugo Chávez falava ao país em cadeia de rádio e televisão.
Levantamento parcial da Polícia Metropolitana de Caracas feito ontem no início da noite indicava a morte de cinco pessoas no conflito. Outras 50 tiriam sido feridas nos distúrbios ocorridos à tarde no centro da cidade. Militares ligados à oposição afirmaram que os mortos seriam sete.
Passeata Cerca de 50 mil pessoas foram às ruas de Caracas, pedindo a saída do presidente Hugo Chávez e apoiando a greve administrativa de gerentes da gigante petroleira estatal PDVSA, que chega a seu oitavo dia, em meio a uma greve nacional por tempo indeterminado.
Carregando bandeiras do país e batendo panelas, os manifestantes saíram em passeata do Parque del Leste no meio da manhã rumo ao prédio administrativo da Petróleos da Venezuela (PDVSA) no exclusivo setor de Chuao. A marcha foi convocada pelas opositoras Confederação dos Trabalhadores da Venezuela (CTV), a maior do país, e Fedecâmaras, cúpula do empresariado, e foi vigiada por 600 soldados da polícia municipal local e voluntários, segundo o prefeito Leopoldo López, do município Chacao.
A CTV convocou uma greve de 48 horas desde terça-feira, com apoio do Fedecâmaras. A greve administrativa da estatal, decretada há uma semana, afeta embarques de combustíveis e a refinaria de petróleo do quarto produtor mundial de petróleo.
Os confrontos na área central de Caracas ocorreram depois que grupos favoráveis e contrários se encontraram. Os guardas nacionais primeiro usaram bombas de gás lacrimogêno para dispersar os manifestantes e depois entraram confrontos com os integrantes dos dois grupos.


