Agência Estado
De Brasília
A Marcha dos 100 Mil, organizada pelos partidos de oposição, apesar de formada por militantes de esquerda, demonstrou insatisfação de parte da população e preocupa, sim, o governo. Esta é a avaliação do secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, para quem não tem cabimento pedir a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a privatização do Sistema de Telefonia Telebrás.
‘‘Não há nada a ser investigado: o Tribunal de Contas, o Ministério Público, todo mundo já examinou esse processo, que foi limpo e deu um resultado fantástico’’, disse. ‘‘Muitos manifestantes estavam falando em telefones celulares recém-adquiridos, seguramente graças ao sucesso da privatização’’. Para o secretário-geral da Presidência, há uma ‘‘certa perplexidade’’ da população quanto aos rumos do governo federal.
‘‘Todo o período que já passamos de turbulência na área econômica leva as pessoas a não saberem muito bem qual é o rumo que nós estamos tomando, o que o presidente está fazendo, para onde ele quer levar o País’’, afirmou. Em entrevista na última quinta-feira, logo depois do encerramento da manifestação da oposição, o ministro expôs o diagnóstico, mas não revelou a solução que o governo pretende dar para o problema crônico em sua comunicação.
‘‘O presidente explica e explica bem, mas acho que ele precisa explicar mais, dizer mais o que está fazendo’’, comentou. Com a reeleição, disse Aloysio, foi feito um pacto entre a Nação e o presidente FHC. ‘‘Esse pacto foi abalado nesse início de governo conturbado e precisa ser refeito’’, defendeu. ‘‘Não em outras bases, mas o povo precisa saber exatamente para onde nós vamos, o que o presidente está fazendo’’. Para ele, a nova estratégia de comunicação do governo não tem nada a ver com marketing, mas estará centrada na atuação política dos partidos da base de sustentação e de ações do próprio presidente.
Segundo ele, a idéia que as reformas estão paradas é de quem não conhece a política brasileira e não está informado sobre as atividades do Congresso. ‘‘No dia em que o Congresso estava discutindo a votação do requerimento de urgência do projeto dos ruralistas, a Câmara aprovou o projeto que complementa a reforma administrativa. O projeto reduz o número de funcionários estáveis do governo do Distrito Federal de 500 mil para 50 mil’’, exemplificou.
Ainda de acordo com o secretário da Presidência, a lei de responsabilidade fiscal está andando e a reforma tributária está mais consensual hoje. ‘‘Eu tenho esperança de que até o final do ano nós possamos aprová-la’’, afirmou.

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