Protesto pode custar R$ 100 mil
Flávio Mello
Agência Estado
De Brasília
A Marcha dos 100 Mil custou até agora R$ 72,480 mil aos cinco partidos de oposição (PT, PDT, PSB, PC do B e PCB) e poderá chegar a R$ 100 mil por causa das despesas extras, segundo dados oficiais divulgados ontem pela Central Única dos Trabalhadores (CUT). A previsão inicial incluiu despesas com a montagem do palco, equipamentos de som, impressão de folhetos e 200 mil cartazes, serviço de limpeza, segurança, 100 banheiros públicos, decoração do palco e recepção de funcionários e convidados, mas poderá atingir R$ 100 mil por causa dos gastos de última hora.
A coordenação acredita que os abaixo-assinados pedindo a abertura de uma CPI para apurar supostas irregularidades no processo de privatização do Sistema Telebrás e a responsabilidade criminal do presidente Fernando Henrique deverão passar a previsão de 1 milhão de assinaturas. De acordo com os dirigentes da CUT e do PT, o movimento conseguiu 960 mil assinaturas, conforme levantamento preliminar realizado sexta-feira.
Vamos conseguir muito mais de 1 milhão de assinaturas, afirmou ontem o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), depois de participar da entrega das primeiras 200 mil assinaturas na CUT de Brasília. Os abaixo-assinados com essas 200 mil assinaturas foram obtidos em São Paulo e entregues ontem no Distrito Federal pelo presidente da CUT de São Paulo, José Lopez Feijóo.
A estratégia da coordenação da marcha é demonstrar otimismo e tentar mostrar para a opinião pública que o governo federal está preocupado com o protesto porque sabe não dispor de apoio popular com o objetivo de esvaziar a manifestação das oposições. Se o governo quiser, recolheremos 10 milhões de assinaturas, ironizou o deputado federal Vivaldo Barbosa (PDT).
Os organizadores do protesto avaliaram que Fernando Henrique divulgou a manifestação em vez de a criticar, chamando-a de Marcha dos Sem-Rumo e acusando-a de golpismo. Temos de agradecer o presidente por nos ajudar a economizar recursos com a divulgação, disse ontem o presidente da CUT do Distrito Federal, José Zunga Alves de Lima.





