Protesto obriga FHC a mudar visita
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sábado, 25 de novembro de 2000
Liége Albuquerque Agência Estado De Vitória 
O presidente Fernando Henrique Cardoso suspendeu ontem parte da agenda no Espírito Santo, onde inaugurou um porto em Vila Velha, para não enfrentar uma manifestação da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Na semana passada, ao contrário, FHC atravessou a pé a rua em frente do Palácio do Planalto para se confraternizar com manifestantes da Força Sindical. A passeata evitada pelo presidente, contudo, não conseguiu reunir mais que 150 manifestantes.
São Pedro é pelego: a chuva atrapalhou a manifestação, lamentou o presidente da CUT estadual, Ailson de Oliveira, tentando justificar o número pequeno de manifestantes. A estimativa era de reunir 1,5 mil. Durante toda a manhã choveu em Vitória, mas, à tarde, a chuva parou. Apesar das palavras de ordem Fora FHC e Fora FMI, a comitiva e o presidente só conseguiram ouvir os fogos de artifício soltados por manifestantes.
O pequeno grupo de manifestantes, porém, parou o trânsito da Avenida Beira-Mar em Vitória, indo em passeata desde o Palácio Anchieta, sede do governo estadual, até o Teminal D. Bosco. No ponto final da passeata, ficaram em frente de onde acontecia a inauguração do porto, mas distantes mais de cinco quilômetros.
Um esquema de segurança, que incluiu até ponto facultativo aos funcionários públicos estaduais, foi acionado. Uma festa também foi preparada pelo governador José Ignácio Ferreira (PSDB) para Fernando Henrique. Mas, com o cancelamento da ida ao Palácio, em vez de ir de carro até Vitória, Fernando Henrique chegou no aeroporto e seguiu de helicóptero até a Companhia Portuária de Vila Velha, na Grande Vitória. Com isso, a assinatura dos convênios, que seria no palácio, foi transferida para a companhia portuária.
Em seu discurso, o presidente admitiu que, devido à falta de recursos, muitas vezes o governante precisa dizer não a demandas que são justas. É um país muito duro para quem governa, porque o governante tem de ser um homem capaz de dizer não a demandas que muitas vezes são justas, mas não há recursos para defendê-las, disse, referindo-se ao Brasil, que classificou como um país que tem orgulho de si, mas é humilde porque sabe o que falta fazer. O presidente também falou sobre o crescimento econômico que, segundo ele, nos primeiros três trimestres do ano alcançou 3,98%. Vamos superar 4%, como eu falei lá atrás. A indústria está crescendo a 6,5% este ano e a safra agrícola em curso foi a maior da nossa história.


