Protesto foi baderna, acusa FHC
Protesto foi baderna, acusa FHC
Presidente condena manifestação violenta de sindicalistas e apóia declarações de Antônio Carlos Magalhães
Agência Estado
O presidente Fernando Henrique Cardoso classificou de baderna a manifestação realizada pela Central Única dos Trabalhadores, anteontem em Brasília, e que resultou em 21 feridos. Na noite de quarta-feira, Fernando Henrique foi informado sobre os acontecimentos pelo senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), que está ocupando interinamente a Presidência. Uma coisa é a manifestação dentro da lei, democrática; outra coisa é a baderna, disse. Isso não é bom; a baderna não ajuda quem faz e atrapalha a compreensão do processo político. Acho lastimável.
Fernando Henrique apoiou ACM, quando disse que não aceitaria anarquia. Ele disse apenas o que presidente tem de dizer, declarou FHC. A lei tem de ser respeitada. Segundo Fernando Henrique, em uma democracia, ou se faz a lei respeitar, ou se instaura a anarquia.
As declarações do presidente foram feitas no Pavilhão do Brasil, em Lisboa, pouco antes da abertura oficial da Expo 98, no seu penúltimo dia de viagem à Europa - esteve antes na Espanha e na Suíça. O presidente não quis responder se achava que as manifestações eram um ato de oposição ao seu governo ou uma ação de agitadores. Não vou dizer nada além do que eu já disse aqui, desconversou. Acho que, como brasileiro, eu vejo, com pena, que pessoas deviam estar dizendo o que pensam e, ao invés de dizer o que pensam, estão fazendo demonstração de violência.
O presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen, que também está em Lisboa - ele foi embaixador do Brasil em Portugal -, disse que o tumulto ocorrido em Brasília é um prenúncio de campanha violenta. Bornhausen participa hoje do encerramento do Fórum Euro-Latino-Americano, no Centro Cultural de Belém. A oposição, sem planos alternativos, sem programa de governo, está estabelecendo conflitos, afirmou ele, que acredita que houve demonstração de um retrocesso na política brasileira. Para Bornhausen, a confusão em Brasília não é o que deseja o povo brasileiro. O povo deseja saber o que será feito de bom em nosso País.
O presidente em exercício, Antonio Carlos Magalhães, disse que as manifestações organizadas pelos partidos de oposição, como a de anteontem, em Brasília, são executadas com objetivo de acirrar a campanha presidencial. A nós, cabe não aceitar as provocações e manter a ordem, disse, ao desembarcar às 15 horas de ontem na Base Aérea de Salvador. ACM participou da missa em memória de seu filho, Luís Eduardo Magalhães e, logo em seguida, retornou a Brasília.
Na visão de ACM, os atos são todos políticos e realizados pelos agitadores de sempre. Ele reconhece que o povo tem problemas, mas acentuou que só se pode resolvê-los com trabalho e ordem. Por essa razão, entende que teve o apoio da população brasileira para enfrentar com rigor os manifestantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Brasília. Nesse curto período na Presidência, tive a oportunidade de dar uma demonstração de que o povo quer ordem, disse, citando o fato de a imprensa ter recebido bem as providências adotadas no Planalto.





