Protesto faz Lula cancelar descida da rampa
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quarta-feira, 16 de junho de 2004
Agência Estado 
Brasília - Uma ruidosa passeata organizada pelo PSTU e pelo PC do B contra as reformas sindical e trabalhista, na Esplanada dos Ministérios, obrigou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a cancelar ontem a cerimônia de descida da rampa com o primeiro-ministro da Tailândia, Thaksin Shinawatra, para não se encontrar com os manifestantes. Esperados no Itamaraty para um almoço, Lula e Shinawatra deixaram o Palácio do Planalto na direção oposta à seguida pelos militantes, por um caminho alternativo. ''Lula/cara de pau/esse salário é imoral'', gritavam em coro o grupo, numa referência ao salário mínimo de R$ 260.
Ex-aliados do PT, os manifestantes empunhavam bandeiras com vários dizeres provocativos contra as reformas, a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) e chegaram até mesmo a queimar um caixão com a foto de Lula na Esplanada, que ficou interditada para o trânsito durante mais de quatro horas.
O protesto reuniu 5 mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar. A Coordenação Nacional de Lutas - fórum de entidades sindicais ligadas ao PSTU e ao PC do B - foi a responsável pela organização do evento e calculou o número de manifestantes em 15 mil. Bandeiras vermelhas do PSTU se misturavam a faixas pretas, que chamavam Lula de traidor e governo de neoliberal.
Os organizadores do protesto criticam em especial a proposta de reforma sindical que está sendo discutida pelo governo. Na avaliação dos líderes do movimento, a proposta defendida pelo Palácio do Planalto faria com que o acordo que fosse negociado entre trabalhadores e patrões prevalecesse sobre a lei. Nesse caso, na avaliação do movimento, vários direitos trabalhistas correriam o risco de serem flexibilizados dentro dessas negociações.


