Brasília - Organizadores da manifestação contra a reforma da Previdência querem reunir ontem cerca de 20 mil servidores na Esplanada dos Ministérios. Diversas entidades de todo o país participarão do ato, que contará inclusive com a presença de parlamentares do governo, como a senadora Heloísa Helena.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, ligada à CUT (Central Única dos Trabalhadores), promete levar a maior caravana, cerca de 10 mil pessoas.
A concentração dos servidores está marcada para as 9h da manhã, em frente à Catedral de Brasília. De lá, seguirão para o Ministério da Previdência, onde farão uma manifestação.
O ato de encerramento está marcado para o início da tarde, em frente ao Congresso Nacional, com discursos de diversas lideranças sindicais. A comissão organizadora da manifestação será recebida à tarde no Palácio do Planalto pelos ministros José Dirceu (Casa Civil), Luiz Dulci (Secretaria Geral) e Ricardo Berzoini (Previdência).
De acordo com a assessoria do porta-voz da Presidência, não foi solicitada uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que temporariamente não despacha de seu gabinete devido à reforma para instalação de novos vidros blindados.
Lula receberá o presidente argentino Néstor Kirchner para reunião e almoço no Alvorada, longe dos barulho provocado pelos carros de som e alto falantes. Tradicionalmente, esse tipo de encontro ocorre no Itamaraty, que fica na Esplanada.
Hoje, os organizadores preparavam os últimos detalhes da manifestação. A Esplanada dos Ministérios estava repleta de faixas com dizeres contrários à reforma da Previdência e o acampamento montado em frente ao Congresso Nacional já abrigava as primeiras delegações de servidores estaduais.
No acampamento, servidores que ficaram nas estrada por até dois dias não escondiam a decepção com a proposta do governo Lula. ''Somente com a mobilização dos servidores será possível fazer o governo recuar'', disse o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Federais de Santa Catarina, Lírio José Téo.
Além dos protestos de hoje, entidades contrárias à reforma ameaçam paralisar as atividades em nível nacional. É o caso do Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal). Cerca de 7.500 auditores prometem cruzar os braços amanhã e quinta-feira nas ações de fiscalização de portos, aeroportos e fronteiras, sendo que 350 participarão do protesto em Brasília.
Funcionários ligados ao Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central também devem paralisar as atividades hoje.

mockup