Protesto de estudantes na AL acaba em agressão
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de abril de 2010
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A manifestação de oito estudantes ontem na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná terminou em agressão. O estudante José Le Senechal Neto, de 19 anos, disse que chegou na AL por volta das 13h30, quando foi impedido por seguranças da Casa de organizar uma manifestação em uma das três galerias que ficam em torno do plenário. O objetivo do estudante era pendurar na galeria um ''banner'' com o símbolo do movimento ''caça fantasmas'', criado em referência aos funcionários contratados pela AL mas que nunca trabalharam lá. Ele também se preparava para vestir uma camiseta com o mesmo símbolo. ''Era apenas um ato simbólico'', comentou Neto, que não teria sido o único agredido por seguranças.
O grupo de estudantes, que são ligados à União Paranaense dos Estudantes (UPE) e à União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES), não chegou ao mesmo tempo na AL. Mas, pelo menos dois estudantes teriam entrado em conflito com seguranças da Casa.
''Dois 'armários' me tiraram lá de cima e me levaram aqui para a sala. Queriam ver o que eu tinha dentro da mochila e eu não quis abrir'', explica Neto. O estudante argumentou que já havia passado pela porta de detector de metal instalada logo na entrada do edifício e considerou abusivo o pedido dos seguranças. ''Eu tentei sair da sala, mas eles me empurraram, me deram tapas'', conta ele. Neto se refere à sala dos seguranças da Casa, onde o acesso é restrito.
O presidente da UPES, Mário Sérgio de Andrade, 20 anos, também participava da manifestação na Casa e reclamou da ação dos seguranças: ''Mais uma vez eles agem de forma covarde. A Casa é do povo, mas a gente não é bem vindo aqui''. Ele afirmou que os estudantes fariam uma queixa formal sobre a agressão.
Neto disse que só saiu da sala depois que parlamentares chegaram até o local. ''O presidente (da AL, Nelson Justus) me pediu para acompanhar a situação, ver o que estava acontecendo'', disse Jocelito Canto. Em seguida, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) foi escutar os estudantes sobre o que tinha ocorrido. ''Qualquer tipo de violência é um absurdo'', declarou o peemedebista.
A assessoria de imprensa da AL divulgou uma nota sobre o episódio no final da tarde. Segundo a nota, a mesa executiva da AL determinou a ''apuração dos fatos'' e lamentou o caso. ''Enquanto os estudantes têm o legítimo direito de manifestação, desde que obedecendo a ordem e o decoro, os seguranças também têm o dever de manter a ordem e a integridade de todos que trabalham na Assembleia Legislativa. Os seguranças pediram para fazer a revista das mochilas, como determinam as regras de conduta de segurança, mas os estudantes se recusaram e acabou acontecendo o problema. Neste momento de crise todos devem manter a calma e a serenidade para evitar confrontos'', continuou a nota.
Após o episódio, os oito estudantes falaram com a imprensa sobre as agressões e permaneceram perto do plenário aguardando uma autorização da direção da Casa para entrar em um das galerias e pendurar o ''banner'' do movimento. A autorização, contudo, não chegou. E por volta das 15h30 o grupo de estudantes foi embora. A sessão plenária começou normalmente, por volta das 14h30, e o presidente da Casa, Nelson Justus, não se pronunciou sobre o assunto durante a condução dos trabalhos.


