Além de depredarem e picharem carros, alguns manifestantes mascarados atiraram coquetéis molotov e outros objetos contra os policiais
Além de depredarem e picharem carros, alguns manifestantes mascarados atiraram coquetéis molotov e outros objetos contra os policiais | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil



Brasília - Um protesto contra o governo e contra projetos do presidente Michel Temer terminou em confusão no final da tarde dessa terça-feira (29). Após mais de 12 mil pessoas se reunirem em frente ao gramado do Congresso Nacional (segundo estimativa da Polícia Legislativa), alguns manifestantes depredaram e picharam carros que estavam estacionados, tendo virado dois de ponta-cabeça –um deles um veículo da TV Record. A Polícia Militar e a Polícia Legislativa, que faziam um cordão de isolamento, atiraram então bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo para dispersar o ato.

Um grupo chegou a virar banheiros químicos que estavam na região e um outro montou uma barricada num trecho da Esplanada para evitar a proximidade da polícia. Alguns manifestantes mascarados atiraram coquetéis molotov e outros objetos contra os policiais.

Agindo de forma diferente da de outras manifestações também violentas do passado, as polícias Militar e Legislativa avançaram para cima de toda a manifestação, com auxílio de bombas, o que obrigou o protesto a recuar para outras áreas da Esplanada.

Com o grito de guerra "fora, Temer", o protesto reuniu sindicatos, índios, organizações de esquerda e movimentos sociais. Havia faixas contra a proposta de congelamento de gastos federais, que deveria ser votada no Senado nessa terça, e contra a reforma do ensino médio, entre outros pontos.

Senadores e deputados de esquerda que foram acompanhar a confusão reclamaram da ação da polícia, afirmando ter havido uma repressão contra todos, inclusive os parlamentares. "Em 14 anos de parlamento nunca vi uma forma tão truculenta e tão leviana de tratar uma manifestação", afirmou o ex-presidente da Câmara Marco Maia (PT-RS).

Dentro do Congresso houve outra confusão na sessão do Senado que votava a PEC do teto, o que levou o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), a suspender momentaneamente os trabalhos.

A presidente da Confederação Nacional das Mulheres do Brasil, Gláucia Morelli estava na tribuna de imprensa e começou a gritar palavras de ordem e ataques contra a PEC do teto de gastos.

Foi retirada a força por policiais legislativos. Devido à votação da proposta, que é a prioridade legislativa de Michel Temer para 2016, as pistas de acesso às entradas principais do Congresso foram fechadas e a segurança foi reforçada.
Além da Polícia Legislativa, a Polícia Militar também esteve a postos desde o meio da tarde com o Batalhão de Choque e a equipe de cavalaria.

'TRUCULÊNCIA'
A maioria dos manifestantes era composta de estudantes, professores, sindicalistas, sem-teto e aposentados, que viajaram de vários Estados. Rita Kloster, 62, do sindicato dos servidores municipais de Curitiba, chegou a Brasília pela manhã e criticou a "truculência" da Polícia Militar para dispersar os manifestantes. "Eles avançaram de tal maneira covarde... Quando nós começamos a gritar 'sem violência', parece que a polícia reagiu mais", disse, enquanto se escondia das bombas no jardim do Ministério da Fazenda.

Perto dali, um ponto de ônibus com estrutura de vidro ficou estilhaçado.
O cheiro de gás de pimenta usado pelas forças de segurança podia ser sentido em toda a extensão da Esplanada dos Ministérios.
"O movimento estava lindo. O que a gente percebeu de longe é que um grupo de jovens virou um carro, e a polícia veio jogando bomba no pessoal todo, em idosos, crianças", disse Ester Duarte, 54.
Ela é professora da rede municipal de Goiânia e protestava contra o eventual congelamento dos recursos para a Educação caso a PEC do teto seja aprovada no Senado.

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