Protesto contra governador derruba vereador em Arapongas
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quarta-feira, 12 de setembro de 2001
Maurício Borges 
A Câmara Municipal de Arapongas (37 km a oeste de Londrina) criou, nesta semana, uma Comissão Processante para investigar o envolvimento do vereador Sérgio Onofre (PMDB) no protesto contra o governador Jaime Lerner (PFL), no dia 24 de agosto. Por determinação do presidente da Câmara, Osvaldo Simões de Melo (PFL), Onofre foi afastado temporariamente do cargo. Em seu lugar, foi convocado o suplente Mauro Cassitas (PMDB).
A comissão foi criada com base em denúncia do servidor público Carlos Calixto de Campos. De acordo com a denúncia, o vereador teria faltado com decoro parlamentar ao participar da manifestação, incitando populares a agredirem o governador e sua comitiva.
Durante a visita, manifestantes atiraram pedras e ovos contra o veículo de Lerner. Em frente ao Clube Comercial, onde seria servido almoço às autoridades, houve confronto entre policiais e manifestantes.
Na sessão ordinária da última segunda-feira, foi lida e acatada a denúncia, com oito votos favoráveis, cinco contrários e uma abstenção. Nos próximos dias Onofre será notificado a apresentar sua defesa e, ao mesmo tempo, a comissão irá buscar informações da Polícia Civil, Polícia Militar e de outras testemunhas sobre o episódio.
O presidente da Câmara, Osvaldo Simões de Mello, explicou ontem que o afastamento ou não do vereador denunciado era facultativo à presidência. ''Optei pelo afastamento para que a comissão tenha maior liberdade na investigação'', justificou, frisando que faz questão de dar amplo direito de defesa a Sérgio Onofre.
Conforme lembrou o presidente, em toda história política de Arapongas um único vereador foi cassado pelo Legislativo. Foi o ex-peemedebista Reinaldo Soares de Sousa, por envolvimento em um homicídio. ''Depois de cassado, o vereador foi julgado e absolvido pela Justiça'', lembrou. Para consumar a cassação serão necessários 2/3 dos votos da Câmara ou seja, 10 votos favoráveis de um total de 15 vereadores.
Onofre disse ontem à Folha que enfrenta o processo com naturalidade. ''Trata-se de uma manobra orquestrada pelo chefe do Executivo, tendo como denunciante um servidor da prefeitura e como testemunhas três assessores do prefeito'', afirmou ele, frisando que não acredita em sua cassação. Para ele, o grupo do prefeito está querendo dar uma satisfação a Lerner, pela recepção negativa que ele teve em Arapongas, depois de conseguir derrubar na Assembléia Legislativa o projeto popular contra a venda da Copel.
Procurado ontem pela Folha, o prefeito José Bisca (PFL) declarou que a questão do afastamento e processo de cassação do vereador é de alçada exclusiva do Legislativo e que ele não pretende interferir.


