A visita do presidente Fernando Henrique Cardoso a Porto Alegre, para a inauguração do novo terminal do Aeroporto Salgado Filho, foi marcada ontem por cenas de violência envolvendo manifestantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), estudantes e professores de universidades federais e a Brigada Militar (a PM gaúcha). Em razão do confronto, pelo menos 16 pessoas ficaram feridas, a maioria policiais.
O local onde ocorreu a solenidade de inauguração estava isolado dos manifestantes, e a segurança era intensa. FHC não viu as manifestações. Após queimar pneus e madeira e bloquear o trânsito, parte dos cerca de 200 manifestantes jogou pedras, garrafas e tijolos nos policiais, que reagiram com cassetetes e disparando balas de borracha e gás lacrimogêneo.
Duas pessoas ainda permanecem internadas. Maria Inês Lopes Vargas, de 66 anos, levou uma pedrada na cabeça e o policial João Geraldo Rodrigues, de 31, teria sido atingido por um tijolo. Ele sofreu fratura em um osso da face e está internado no Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre. Rodrigues será submetido a uma cirurgia para recolocar o osso no lugar. O estado de saúde dele é bom, segundo informações do hospital.
Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública do Estado, os manifestantes colocaram fogo em pneus para bloquear a via de acesso ao novo terminal de passageiros do Aeroporto Salgado Filho, onde ocorria a cerimônia de inauguração com a presença do presidente.
Alheio às manifestações, FHC falou durante a inauguração que tomou o chimarrão da paz com o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT). ''O chimarrão me foi oferecido como símbolo da paz gaúcha. Tomei e passei para o governador Olívio. Tomamos um chimarrão pelo povo do Rio Grande'', disse o presidente.
O presidente falou também em iniciativas de seu governo que ele avalia que não são reconhecidas, citando o caso do Rio de Janeiro, Estado que, segundo ele, com o Rio Grande do Sul e Pernambuco, foi tomado como prioridade pelo seu governo. Em tom de queixa, disse: ''Não estou aqui para ter a gratidão do povo. Quem foi eleito tem de ter a consciência de que serviu ao povo, e eu a tenho.''
Ao falar sobre a crise energética, FHC disse que ela fortaleceu o País. ''É um exemplo do que é um país quando se sente a perigo. Une-se e vence. Sai da crise mais forte do que entrou, porque resolve problemas que talvez, sem a precipitação da crise, fossem postergados por anos a fio'', afirmou.

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