Com uma massa entre 35 mil e 40 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, moradores de Londrina e cidades da região foram ontem às ruas para pedir, em sua maioria, o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Enquanto organizadores clamavam pela saída da petista para convocação de nova eleição, também havia quem defendesse intervenção militar e reforma política sem impeachment.
A adesão em Londrina reflete a rejeição ao PT registrada nas urnas na última eleição. Quase 80% dos eleitores reelegeram o governador Beto Richa (PSDB) e quase 61% votaram em Aécio Neves (PSDB) no segundo turno do pleito passado.
Os manifestantes se concentraram no cruzamento das avenidas Juscelino Kubitschek e Higienópolis e lotaram o Calçadão desde a Praça da Bandeira até a rua Prefeito Hugo Cabral. A marcha foi acompanhada por um trio elétrico, do qual os organizadores gritavam palavras de ordem. Vestidos de verde e amarelo, os manifestantes ostentavam cartazes pedindo, em sua maioria, a saída de Dilma e do PT do poder.
Na lateral do caminhão de som, uma faixa convidava para a "Marcha pela Família com Deus pela Liberdade", marcada para o dia 28 deste mês. O nome é o mesmo do movimento de março de 1964 que pedia a queda do então presidente João Goulart – deposto pelos militares com a justificativa de evitar a instauração do comunismo no País.
Mesmo com a reforma política constando na pauta de reivindicações dos manifestantes, no trio elétrico, um alerta foi dado aos manifestantes: "Não votem na reforma política proposta nas igrejas. Ela está sendo elaborada com ajuda do Leonardo Boff, petista há muito tempo. Não deixem que usem a religião para enganar vocês", avisou um dos manifestantes. Eles rezaram Pais Nossos e Aves Marias durante o protesto.
Allen Arruda, um dos organizadores, comemorou a grande adesão em Londrina. "Nós temos mais gente que a marcha do PT em todas as capitais, com exceção de São Paulo. O nosso recado foi dado." Ele também refutou a tese de que o movimento é um levante da elite branca. "Aqui não tem ninguém ganhando R$ 30 para participar", disse, em referência à manifestação que ocorreu na última sexta-feira em algumas capitais organizada pela CUT e a favor do atual governo federal.
Apesar da pauta com sete itens, Arruda disse que o principal objetivo é tirar o PT do poder. "O coro nacional é convocação de nova eleição. Não somos a favor de Aécio Neves (PSDB), mas de alguém com ficha limpa para nos governar", afirmou.
Também da organização, Cintia Carvalho, que sonha com uma nova eleição após o impeachment, disse que a pretensão no momento é de união. "Abrimos espaço porque queríamos reunir todo mundo. Nós somos contra o comunismo", afirmou.
Para Douglas Roberto Soares Silva, o mais importante é afastar os petistas do governo. "Não sei se (a solução) são os militares, se é o PSDB, só sei que esse governo não pode continuar", disse.

Sem incidentes


O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (PM), major José Luiz de Oliveira, afirmou que entre 35 mil e 40 mil pessoas se manifestaram na tarde de ontem, em Londrina. Ele disse que a aglomeração começou modesta e ganhou força no Calçadão, mas sem incidentes. "Algumas pessoas estavam com máscaras, pedimos para que não usassem, mas fora isso foi sossegado", comentou o major. A corporação destacou 120 policiais para fazer a segurança no trajeto, com apoio de equipes da Guarda Civil Municipal, da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e da Polícia Civil.

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