Protesto contra corrupção leva vassouras à Copacabana
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Alfredo Junqueira e Wilson Tosta<BR>Agência Estado 
Rio - Um dos principais cartões postais do Rio, a praia de Copacabana amanheceu ontem com 594 vassouras pintadas de verde e amarelo fixadas na areia. A manifestação foi produzida pela organização não-governamental Rio de Paz e tinha como objetivo apelar ao Congresso Nacional para ajudar a ''varrer a corrupção do Brasil'', conforme explicou um cartaz exposto no local. A quantidade de vassouras fixadas na manifestação da Rio de Paz representa o número de congressistas do País: 513 deputados e 81 senadores.
Para o presidente da ONG, Antonio Carlos Costa, o trabalho de combate à corrupção tem que começar no Congresso. ''A ideia não é enxovalhar a instituição, que é muito importante para a democracia. É verdade que hoje é difícil contar o número de parlamentares lúcidos e corretos, mas o Congresso tem que dar o exemplo'', afirmou Costa, cuja ONG tem como objetivo principal a luta pela redução no número de homicídios no País. ''É importante ficar claro que o produto final da corrupção é a morte. O dinheiro é desviado muitas vezes de hospitais, escolas, obras de infraestrutura'', argumentou o presidente da Rio de Paz.
O símbolo - a vassoura - não é novo. Na campanha eleitoral de 1960, o candidato presidencial Jânio Quadros e a classe média urbana que o apoiava muniram-se de vassouras para ''limpar a vida pública'' dos males dos governos populistas que conduziam o Brasil desde o fim da ditadura do Estado Novo, em 1945. O utensílio doméstico foi transformado em estandarte de palanque em um País ressabiado com a crise econômica que se avizinhava e traumatizado por tentativas de golpe, como a que levou o presidente Getúlio Vargas ao suicídio em 1954 e a articulação contra a posse de Juscelino Kubitschek desbaratada pelo marechal Henrique Lott em 1955.


