Protesto antirreformas tem baixa adesão em todo o País
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sexta-feira, 30 de junho de 2017
Guilherme Marconi e Mariana Franco Ramos<br> Reportagem local 

Movimentos sociais e sindicatos de trabalhadores marcaram presença na greve nacional contra as reformas trabalhista e da Previdência nessa sexta-feira (30) em Londrina e outras cidades do Paraná. Segundo o Coletivo de Sindicatos de Londrina, cerca de 1,5 mil pessoas participaram do denominado "Ato Público contra a volta da escravidão no Brasil e o fim da aposentadoria". O número foi inferior à última manifestação realizada em dia 28 abril com 15 mil pessoas, segundo organizadores. A adesão aos protestos foi baixa também nas principais cidades do País, principalmente nas localidades onde o transporte público funcionou normalmente. No Rio e em São Paulo ainda ocorriam manifestações no início da noite com alguns incidentes com policiais.
Em Londrina, integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) bloquearam a saída de ônibus do Terminal Central, entre as 6 horas e 11 horas. Nesse período, passageiros tiveram que desembarcar em pontos em ruas próximas ao Terminal. De acordo com o membro da coordenação estadual do MST, José Damasceno, o objetivo foi marcar um posicionamento, apesar dos motoristas e cobradores terem optado por não aderir à paralisação. "O objetivo da greve é chamar a atenção da opinião pública e vai dividir a população. Então, nós viemos aqui para marcar essa data."
A caixa de supermercado Natália Cristina Matias, moradora da zona leste, reclamou dos transtornos causados com o bloqueio no Terminal. "Considero um absurdo isso, impedem nosso direito de ir e vir. Tive que descer lá embaixo e estou procurando saber onde pego um ônibus para meu trabalho." Já a empregada doméstica Rose Jardim apoiou o movimento. "Eles têm que lutar pelo nossos direitos", ressaltou.
Os bancos e o comércio funcionaram normalmente. Os servidores e professores da UEL (Universidade Estadual de Londrina) aderiram à paralisação. Já as aulas da rede pública e particular de ensino não foram afetadas.
O presidente do Sindel (Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Energia), Sandro Ruhnke, questiona as reformas do Governo Michel Temer (PMDB) que estão em pauta no Congresso. "O foco é esse alerta aos trabalhadores para pressionar os políticos para barrar essas mudanças."
Na Reforma Trabalhista, o que mais preocupa a categoria é a mudança em relação aos acordos coletivos que podem prevalecer ao que está previsto na legislação trabalhista. "Isso faz com que o patrão submeta o empregado a aceitar valores menores, isso é muito prejudicial. Os sindicatos existem para equilibrar o jogo. Não estamos aqui manisfestando porque iremos perder a contribuição sindical, como muitos dizem", completou.
A Polícia Militar e a Guarda Municipal não estiveram no Calçadão, entretanto, não foram registrados incidentes. Depois de desocuparem o Terminal, os manifestantes engrossaram participação no ato no Calçadão. Dois carros de som e um pequeno palco foi montado para apresentações dos sambistas Seo Nelson e Braga que cantaram músicas de protesto.
CURITIBA
Uma das organizadoras da greve geral, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Paraná estima que mais de 100 mil pessoas tenham parado suas atividades total ou parcialmente em Curitiba. Entretanto, como os ônibus circularam normalmente, não houve grandes "transtornos" aos empresários e comerciantes e a adesão aos protestos de rua foi considerada baixa.
O principal ato aconteceu ao meio-dia, na Boca Maldita, região central, e reuniu pouco mais de dois mil participantes. Petroleiros, bancários, metalúrgicos, servidores municipais, professores e técnicos de universidades federais, que já tinham decidido cruzar os braços em assembleias, se juntaram a sindicalistas, estudantes e membros de movimentos sociais, como o dos sem-terra (MST). Eles levaram faixas e bandeiras e entoaram gritos contra o presidente Michel Temer (PMDB-SP) e as reformas previdenciária e trabalhista.
Integrantes da APP-Sindicato, que representa os professores da rede pública estadual, fizeram críticas ao governador Beto Richa (PSDB) e aproveitaram para fixar cartazes em cavaletes, relembrando a chamada Batalha do Centro Cívico, ocorrida no dia 29 de abril de 2015 quando mais de 200 manifestantes ficaram feridos durante confronto com a Polícia Militar. Cada um continha um depoimento de um docente, falando das dificuldades de lecionar em dois ou três turnos, sem horas extras e sem o reajuste da data-base.
"A gente acha que o ato foi significativo, pelo fato de o transporte não ter aderido integralmente. O contingente de pessoas que deflagrou a greve, à revelia do transporte, foi grande. Os bancários, por exemplo, fecharam 60 agências e oito centros administrativos. Foi dado um recado, no sentido de aprofundar o contato com os senadores e deputados para barrar as reformas", avaliou o secretário-geral da CUT-PR, Márcio Kieller. Além da Central, estavam na organização as Frentes Brasil Popular, Povo sem Medo e Resistência Democrática.
Ainda que não considere a mobilização uma derrota, a estudante Maria Victória Ruy, militante do PSTU e da Assembleia Nacional dos Estudantes - Livre (Anel), tem avaliação diferente. "Existe entre os trabalhadores muita disposição para fazer greve geral e outras ações radicalizadas. Tanto que no dia 28 de abril a gente teve mais de 36 milhões de trabalhadores cruzando os braços no Brasil inteiro (... ) Se a greve de hoje foi tão menor, a responsabilidade é das centrais sindicais, que fizeram uma linha de defender a convocação de eleições gerais e, com isso, esvaziar o chamado para a greve", afirmou.


