Uma manifestação em protesto às reformas sindical, trabalhista e, principalmente, universitária, terminou ontem com dois estudantes presos, vidraças do Congresso e carros apedrejados. O ato, segundo a Polícia Militar, reuniu cerca de 5 mil pessoas, a maioria estudantes e sindicalistas.
A ''Marcha a Brasília'', uma caminhada que reuniu integrantes de movimentos estudantis, entidades sindicais e o PSTU começou por volta das 11 horas e bloqueou o trânsito na Esplanada dos Ministérios. A manifestação teve dois carros de som e foi acompanhada por integrantes da Polícia Militar Legislativa. A cavalaria da PM também foi chamada quando teve início o tumulto.
A confusão começou quando o grupo, que partiu da catedral da Esplanada rumo ao Ministério da Educação, invadiu o gramado em frente ao Congresso e entrou no chamado espelho d'água. O batalhão de choque foi acionado para conter os estudantes, que jogaram água nos policiais e, na confusão, danificaram quatro carros nas imediações e vidros do Comitê de Imprensa da Câmara dos Deputados.
Durante o tumulto, dois estudantes foram detidos na Segurança da Câmara, acusados de atos de vandalismo. Darius Leva Emrani, 19 anos, de São Paulo, e Thiago Madureira Araújo, 23 anos, de Sergipe, presos pela PM, foram levados para prestar depoimento.
De acordo com secretário-geral do Andes-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), Márcio de Oliveira, entidade que organizou a manifestação, apesar da ''bagunça'' dos estudantes, a Marcha teve ''caráter pacífico''.
Em janeiro de 2004, quando Tarso Genro assumiu o comando do MEC (Ministério da Educação) no lugar do senador Cristovam Buarque (PT-DF), o governo federal elegeu como uma de suas prioridades a chamada reforma universitária. A pasta, assim, sugeriu uma série de mudanças, propostas e o estabelecimento de novas regras para regular o ensino superior público e privado no país. Um documento com o resumo dos objetivos do MEC para a área foi divulgado por Tarso Genro em agosto, fomentando críticas de diversos setores da sociedade: alunos, docentes, dirigentes e sindicatos.

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