Curitiba - A sessão plenária da Assembleia Legislativa do Paraná foi realizada ontem em ritmo veloz. Os discursos dos parlamentares, que normalmente acontecem antes das votações, foram cortados. E o presidente da Casa, Nelson Justus (DEM), foi direto para a ordem do dia, encerrando a sessão plenária por volta das 16h30. Coincidentemente, a velocidade nas votações ocorreu na mesma tarde em que um grupo de estudantes resolveu protestar em frente à Casa, por conta das denúncias de irregularidades feitas pela imprensa.
Cerca de 50 estudantes, a maioria ligados à União Paranaense dos Estudantes (UPE), participaram da manifestação, que começou por volta das 13 horas, mas não durou até o fim da sessão plenária. Pessoas ligadas a centrais sindicais e a partidos políticos integravam o grupo. Uma caixa preta foi queimada e um grupo de ''fantasmas'' se posicionou logo no portão de entrada. Os manifestantes não chegaram a entrar no prédio.
''A gente sentiu que precisava se mobilizar agora, mais do que nunca. A ideia é fazer uma pressão, para ver se as coisas mudam'', disse a estudante do ensino médio e diretora de comunicação da UPE, Camila Cavalheiro. Ela explica que pintou o rosto em referência à mobilização contra o ex-presidente da República Fernando Collor, há quase 20 anos.
Sobre o protesto, o deputado estadual Reni Pereira (PSB) disse que é preciso fazer uma ressalva: ele sustenta que as denúncias não atingem ''a maioria dos parlamentares'' e que o protesto não deveria ser ''contra o Legislativo''. O deputado estadual Ênio Verri (PT) tem outra postura. ''Mesmo que alguns tenham parcelas maiores de culpa do que outros, não podemos ser a vítima. A vítima é a sociedade'', disse ele, acrescentando que o assunto envolve todo o Legislativo e não deve ser ignorado.
Os membros da comissão de sindicância da Casa, contudo, nem chegaram a ser conhecidos. A criação dela foi anunciada pelo presidente da Casa para apurar as denúncias que foram feitas pela RPCTV e a Gazeta do Povo ao longo da semana passada, mas, ontem, Nelson Justus informou que divulgaria os nomes de quem irá trabalhar no assunto ''o mais breve possível''. Justus enfatizou que ele irá acompanhar pessoalmente toda a investigação, que também já está sendo feita pelo Ministério Público do Estado.
Novo diretor-geral
Ontem, Justus anunciou apenas o nome do novo diretor-geral da Casa: o advogado Eron Abboud ocupará o cargo no lugar de Abib Miguel, afastado após as denúncias. Abboud já trabalhava na área jurídica da Casa há cerca de dez anos. ''É alguém que já tem familiaridade com a Casa'', justificou Justus. O Legislativo faria pagamentos a pelo menos cerca de 20 pessoas ligadas a Abib Miguel, entre familiares e amigos, sem que elas de fato trabalhassem na Casa. Os valores de alguns salários ficariam inclusive acima do teto permitido para a administração pública.
Justus também confirmou ontem o pedido de exoneração do diretor administrativo da Casa, José Ary Nassiff, ''braço-direito'' de Abib Miguel. Uma das reportagens revela a nomeação de 81 comissionados em um só dia, em fevereiro de 2007, para lotação na administração do Legislativo.
Na rápida entrevista que concedeu ontem à imprensa antes do início da sessão plenária, Justus também declarou que os diários oficiais relativos aos anos anteriores, e também os avulsos, podem ser colocados na internet. ''Não há motivo para esconder nada'', disse ele. Os documentos, cuja circulação sempre ficou restrita, serviram de base para as reportagens da RPCTV e Gazeta do Povo.

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