As divergências políticas entre a administração municipal de Londrina e o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv) viraram caso de polícia, com acusações de agressão formalizadas em boletins de ocorrência. Esse foi o saldo da manifestação ocorrida sábado durante a inauguração da Unidade Básica de Saúde (UBS) Armando Paulo Porto Alegre, no Jardim Ideal (Zona Leste).
Na ocasião, à qual esteve presente o prefeito Nedson Micheleti (PT), os manifestantes empunharam faixas pela reposição salarial de 21% e discutiram com integrantes da Prefeitura e da associação de moradores local. Segundo as partes envolvidas, o bate-boca se estendeu para as agressões física e verbal, alvo dos registros na Polícia Civil de Londrina.
De acordo com o servidor da Saúde e diretor fiscal do Sindserv, Adalberto José Koscosqui, 39, o registro da queixa feito ontem de manhã no 2º Distrito Policial (DP) aponta o assessor de gabinete do prefeito, Fábio Reali, e o vice-presidente da associação de bairro, Vandercy Garcia Pereira, como autores de agressão física e verbal. Manifestante no dia do evento, Koscosqui afirmou que foi recebido por Reali ''e um grupo de seguranças contratados pela Prefeitura'' com uma série de ''pontapés, provocações e batidas no peito e chutes nas pernas''. ''Quando cheguei, o Fábio me disse: 'vagabundo de sindicato aqui não entra'. Depois, foi a vez do Vandercy chamar os servidores de vagabundos e partir para cima também'', acusou, afirmando ter ''fitas de vídeo que comprovam'' o que diz.
Pereira rebateu a declaração e informou que ingressará amanhã com uma representação na polícia contra o servidor. Vendedor autônomo, ele admite o xingamento, mas garante que o restringiu ''apenas aos servidores encostados em sindicatos''. ''Respondi à altura quando disseram que eu tinha feito campanha para o PT e que recebia mensalinho, o que é mentira'', comentou. Pereira disse ter procurado, na véspera, o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, pedindo que a manifestação não fosse realizada.
O assessor Fábio Reali estranhou o fato de somente ontem Koscosqui ter procurado a polícia, já que ele próprio o fez já no sábado. O registro de ''vias de fato'' consta do banco de boletins da 10 Subdivisão Policial (SDP). ''Eu é que fui agredido por ele, não o contrário. Manifestação tudo bem, é um direito, mas levei um soco e a primeira vítima foram meus óculos. Agora, ele que responda criminalmente por isso'', contestou.

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