O ‘‘clima de guerra’’ que marcou a sessão da Câmara na última quinta-feira não se repetiu ontem à tarde. Enquanto as lideranças favoráveis à abertura da Comissão Processante (CP) contra o prefeito Antonio Belinati intensificaram o movimento em frente à Câmara, os contrários recuaram na arregimentação de populares. Isso foi logo constatado pela ausência dos ônibus da TIL que nas duas últimas sessões levaram moradores da periferia para apoiar o prefeito.
A temperatura subiu apenas no início da sessão. Enquanto de um lado das galerias os manifestantes pró-cassação gritavam ‘‘Justiça!’’, do outro lado o grupo que apóia o prefeito respondia com ‘‘Belinati é nosso!’’ O confronto acabou com a interferência de Renato Araújo, que ameaçou esvaziar as galerias.
As maiores manifestações, no entanto, ocorreram antes do início da sessão. Atores do grupo Proteu e alunos do curso de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) usaram pernas de pau e camisetas pretas com os dizeres ‘‘Cassação já. Fora Belinati.’’
Os representantes dos movimentos que assinaram o pedido da comissão também inovaram, usando adesivos com ‘‘Pé vermelho, Mãos limpas’’. Eles ainda elaboraram um jingle tocado por um caminhão de som em frente à Câmara. O mesmo caminhão foi utilizado, no final da sessão, para que diversas autoridades que estiveram na Câmara discursassem, pedindo a cassação de Belinati.
Já os cerca de 300 populares favoráveis ao prefeito – a maioria vinda de invasões e favelas – levaram faixas de apoio a Belinati. Eles contaram ontem com um reforço de 23 mototaxistas que fizeram um barulhaço com suas motos em frente ao prédio do Legislativo.
Desta vez, cada facção se concentrou em lados diferentes na entrada da Câmara, mas nem por isso um princípio de tumulto foi evitado. Atores que passaram com perna de pau em frente aos manifestantes pró-Belinati ouviram xingamentos. ‘‘Seus urubus, quanto estão ganhando?’’, gritaram alguns manifestantes, contidos pelo assessor da prefeitura Joel Tadeu e pelo presidente da Acesf, Gustavo Santos.
O presidente da Federação dos Núcleos, Favelas e Assentamentos, José Ricardo da Silva, também precisou intervir. Sobre não ter providenciado os ônibus, ele alegou que a federação fez um teste ‘‘para ver se o povo queria apoiar o prefeito e vir de circular (ônibus) normal.’’ A Federação teria distribuído passes aos populares. (Colaborou Patrícia Zanin)