Prorrogação do IR é criticada
Patrícia Zanin
De Londrina
Lideranças paranaenses criticaram ontem a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto do governo que prorroga a alíquota de 27,5% do Imposto de Renda de Pessoa Física, um dos principais pontos do ajuste fiscal. O projeto, aprovado anteontem à noite, será votado agora pelo Senado. A proposta prevê a prorrogação até 2002 da alíquota de 27,5% para quem recebe acima de R$ 1,8 mil por mês. A medida foi proposta pelo governo em 1997, no auge da crise asiática, e só deveria vigorar até o final deste ano.
Para o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Francisco Galli, a medida é lamentável. Penso que estamos em um regime ditatorial econômico. Ele criticou os representantes políticos, que votaram a favor da prorrogação e acusou o governo de incapacidade administrativa.
Na opinião do presidente da OAB-PR, Edgar Luiz Cavalcanti de Albuquerque, o governo erra, mais uma vez, ao deixar escapar os grandes e pegar os desprotegidos. Bancos, empresas e montadoras que mandam dinheiro para o exterior são poupados, lamentou.
O presidente da Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Paraná (Faciap), Ardisson Akel, foi mais ameno nas críticas. A gente entende que o governo está procurando encontrar uma saída para o que vai deixar de arrecadar com a decisão do Supremo Tribunal Federal, conformou-se, referindo-se à decisão do Supremo, que considerou inconstitucional a cobrança de contribuição previdenciária dos inativos, o que, nos cálculos do governo, vai provocar um rombo de R$ 2,4 bilhões nas contas públicas no próximo ano. Akel afirmou, no entanto, que o ideal seria o governo definir a reforma tributária de uma vez por todas.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) Valter Orsi, a atitude do governo, respaldada pela Câmara, demonstra claramente quem vai pagar a conta do ajuste. Já assistimos isso uma vez com a CPMF. De novo o governo deixa de cumprir sua promessa, criticou.





