Prorrogação da CPMF é criticada
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de maio de 2002
Denise Madueño<br>Agência Folha 
Brasília -O governo Fernando Henrique Cardoso não quis fazer a reforma fiscal, em primeiro lugar, para manter o elevado nível da carga tributária vigente no País, atualmente em torno de 32% do Produto Interno Bruto (PIB), e, em segundo lugar, para não dar autonomia financeira aos Estados e municípios, de modo a manter, sobre governadores e prefeitos, o controle político determinado pelo modelo atual. A afirmação é do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que se manifestou ontem, em plenário, contra a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
Simon lembrou também que o tributo foi criado para fazer frente a despesas com a área da saúde e que deveria ter um caráter provisório. Como já estamos renovando esse tributo pela quarta ou quinta vez, sabemos que ele deixou de ser provisório para tornar-se uma tributação permanente, destacou.
O senador gaúcho acrescentou que o governo aprovou no Congresso tudo o que bem quis. E, com o prestígio que lhe foi propiciado pelo êxito do Plano Real, poderia ter feito, se quisesse, as grandes reformas, como a política e a fiscal.Mas o presidente preferiu usar o seu prestígio para aprovar a reeleição, tornando-se o único presidente da história da República do País a conseguir tal coisa, acrescentou.
Nem os militares ousaram reeleger-se, comentou Simon, ao lembrar que a alternância no regime militar foi rigorosamente respeitada por Castello Branco, Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo.
Em aparte a Pedro Simon, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) destacou que a contribuição não serve sequer para rastrear o desvio de recursos, como se costuma dizer, já que o corrupto escolado não faz movimento em reais, mas em dólares.
Coube ao líder do PSDB no Senado, Geraldo Melo (RN), defender FHC, ao atribuir ao Congresso a responsabilidade de votar o projeto de reforma tributária, além de contestar a afirmação de Simon sobre a reeleição.
A reeleição não foi feita por um ato institucional. Ela foi introduzida por reforma à Constituição com discussão congressual e votação amplamente majoritária. FHC pode ter ficado de acordo com essa iniciativa, mas a responsabilidade é do parlamento brasileiro, disse Melo.
Denúncias sobre a compra de votos para garantir a aprovação da reeleição, publicadas pela Folha de S.Paulo, em 1997, resultaram na renúncia de dois deputados.
As declarações de Simon foram feitas durante a sessão de discussão da emenda que prorroga até 2004 a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
Como queria o governo, o Senado realizou ontem duas sessões extras para garantir o cumprimento do calendário acertado com os partidos, a fim de votar o primeiro turno da emenda no plenário no próximo dia 4 e o segundo no dia 12.


