Propostas semelhantes confundem eleitor
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sábado, 12 de outubro de 2002
Denise Angelo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba Ao assistir os programas eleitorais na televisão, o eleitor paranaense conseguiu perceber que na disputa presidencial o candidato José Serra (PSDB) adotou como mote de sua campanha a geração de empregos. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como faz desde a primeira vez que participou da disputa em 1989, enfatizou a justiça social no primeiro turno. As diferenças ficaram evidentes o que facilitou a vida do eleitor na hora de escolher.
Já na disputa ao governo do Estado as diferenças não ficaram tão claras assim. As poucas propostas apresentadas por Roberto Requião (PMDB) e Alvaro Dias (PDT) foram bastante semelhantes. Como suas vidas políticas também foram parecidas até certo ponto de suas carreiras, a dificuldade do eleitor só aumentou.
''A maior queixa que ouvimos dos eleitores nas pesquisas qualitativas que fizemos foi a falta de diferenciação entre os dois principais candidatos'', conta o analista político Bruno Lopes. Segundo ele, o eleitor ouviu as mesmas propostas dos dois candidatos, mas não conseguiu entender de que forma eles poderão colocar em prática os seus discursos. ''Isso ficou evidente com o resultado da eleição. Tanto Alvaro quanto Requião tiveram uma votação muito próxima do que indicavam as pesquisas feitas no início da campanha. Ou seja, a campanha não acrescentou votos para nenhum dos dois'', reflete o analista.
A falta de propostas, no entanto, não é exclusividade dos candidatos ao governo do Paraná, conforme o entendimento do doutorando em Ciências Políticas Emerson Cervi. Segundo ele, a maioria dos estados brasileiros tem mais de 80% da sua arrecadação comprometida com folha de pagamento e custeio da máquina pública. ''Sobra pouco para investir e por isso não há como fazer muitas propostas'', considera.
Segundo Cervi, diante desse cenário, os candidatos acabam optando por prometer ações em áreas onde eles têm certeza de que haverá recursos. ''O candidato sabe que vai receber verbas para a educação. Por isso promete dar leite para reforçar a merenda. Consequentemente, as promessas acabam ficando parecidas'', explica.
Os candidatos, no entanto, alegam que a campanha para o primeiro turno teve seus diferenciais. Requião salienta que apresentou propostas e detalhou de que maneira vai cumprí-las. Como exemplo, cita a geração de empregos, que terá como suporte a redução do preço de energia elétrica e os incentivos fiscais para quem oferecer o primeiro emprego a jovens trabalhadores.
Questionado sobre qual seria o mote da campanha no segundo turno, Requião diz ''será uma campanha plural porque o Paraná não tem um único aspecto''. Ele pretende comparar biografias, atitudes doutrinárias e propostas para marcar as diferenças que possui em relação ao seu adversário.
Alvaro acredita que no segundo período da campanha será mais fácil detalhar as propostas porque terá mais tempo na TV. Segundo ele, o mote da campanha será a geração de empregos. Alvaro não pretende gastar seu tempo de campanha reforçando as diferenças entre ele e seu adversário. ''Durante uma campanha não visualizo o meu adversário. Olho para frente e mostro o meu patrimônio de realizações'', salientou.
O candidato diz que sempre apostou nesse patrimônio para obter um bom desempenho nas urnas. ''Entre uma promessa e um patrimônio, considero que o patrimônio tem muito mais peso. E nesse quesito tenho grande vantagem'', argumenta.


