O cenário eleitoral de Londrina, homologado pelas convenções encerradas no último dia 30, revela alianças que têm mais o objetivo de defender os próprios interesses do que apresentar novas propostas. É a opinião de especialistas ouvidos pela FOLHA. Apesar das mudanças nas composições em relação à eleição anterior, o que movimenta a negociação das siglas é a participação na administração, em caso de vitória. ''Depois das eleições tem que dividir a vitória'', comenta o sociólogo Marco Rossi.
Para Rossi, ''são alianças conservadoras, semelhante ao que o PT fez com o Paulo Maluf (PP) em São Paulo, querendo um tempo a mais na TV e a penetração naquele grupo de eleitores''.
Os especialistas afirmam que no Brasil as legendas servem aos interesses dos seus líderes, sem ''o tom ideológico''. Rossi citou a formação das grandes composições, como a chapa encabeçada por Marcelo Belinati (PP) e que conta com mais 13 partidos. ''Estão reunidos PP e PSDB numa união que já estava acordada nas eleições estaduais quando Antonio Belinati apoiou Beto Richa em Londrina.'' Ele entende ser difícil encontrar simetria entre tantas siglas diferentes numa mesma aliança.
O cientista político Elve Cenci afirmou que as grandes coligações servem ainda aos objetivos do candidato que concorre na majoritária. ''Além do tempo de TV, o candidato a prefeito vai ter muitos candidatos a vereador fazendo propaganda para ele, como cabos eleitorais.''
Os especialistas, porém, preferem aguardar as próximas movimentações da campanha para opinar sobre uma eventual migração de votos dos eleitores ''mais tradicionais'' insatisfeitos com as alianças. Ambos entendem que existem apoiadores históricos insatisfeitos, tanto do lado de Luiz Carlos Hauly (PSDB) quanto do lado de Antonio Belinati (PP), líderes das siglas e rivais nas últimas eleições.

Imagem ilustrativa da imagem Propostas não dão base a alianças, dizem especialistas
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