Propostas dos candidatos mudam conforme a facção
Marcas registradas do PT, as teses são sempre compostas por avaliações de conjuntura e propostas que cada chapa apresenta para o debate. Nos calhamaços, a visão de Brasil e de mundo varia de acordo com a facção. Há de tudo um pouco: desde companheiros que pregam uma mudança de 180 graus no PT, com críticas veementes a bandeiras do partido como Orçamento Participativo, Bolsa-Escola e Banco do Povo até os que defendem um programa de governo capaz de agregar empresários. E, de quebra, destacam a importância dos mercados globais.
''Vamos governar igualzinho aos outros e nos sustentar no FMI?'', pergunta Raul Pont. ''A radicalidade da crise exige respostas radicais e insisto para que o campo majoritário do PT atente para nossa experiência de governo no Rio Grande do Sul, que não é nenhuma miríade.''
Atualmente, os moderados capitaneados por Lula, Dirceu e Genoino têm 54% das 81 cadeiras do diretório nacional. É o chamado campo majoritário, composto pelas tendências Articulação/Unidade na Luta e Democracia Radical. Na eleição de hoje, o grupo lutará para aumentar ou, na pior das hipóteses, manter esta correlação de forças.
Os rumos do partido ainda têm de passar pelo crivo do 12º encontro nacional, em dezembro. Também haverá uma prévia, no dia 3 de março do ano que vem, para bater o martelo no nome do candidato à Presidência, já que o senador Eduardo Suplicy (SP) e o prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, também querem disputar a indicação. Mas o pleito que será realizado hoje em 2.834 cidades 184 das quais com urna eletrônica é o mais importante termômetro para medir a força da ala light.
''Eles não percebem que, se lançarmos sementes podres, poderemos colher tempestade'', protesta Júlio Quadros, da radical Articulação de Esquerda, que prefere Edmilson a Lula. Ricardo Berzoini, que entrou na corrida na última hora, diz ter mais divergências sobre o método de direção do partido do que sobre o conteúdo da plataforma. ''Hoje, há petistas que tratam melhor adversários do PFL do que companheiros de algumas tendências'', reclama.
Para Markus Sokol, sua candidatura serviu para pôr em xeque o Orçamento Participativo que não passa, na sua opinião, de uma política recomendada pelo Banco Mundial para ''anestesiar o povo''. Além de Sokol, que hoje não dá apoio automático a Lula, a corrente O Trabalho tem apenas mais três assentos no diretório nacional. ''O que me preocupa não é a doutrinária tese do Sokol, mas, sim, a da maioria, que não tem uma vírgula sobre a nossa principal marca de governo'', critica Pont.





