Propostas dividem bancada do PR
Na avaliação dos dois deputados federais mais experientes do Paraná, Luiz Carlos Hauly (PSDB), que assume em janeiro o quinto mandato, e Alex Canziani (PTB), eleito pela terceira vez, as propostas de emenda constitucional (PECs) têm poucas chances de prosperar.
Hauly se posicionou contrário à limitação de reeleições para o Executivo, como propõe a PEC de autoria de Edson Duarte (PV-BA). ''Nas democracias do mundo inteiro não há limitação. Se me apresentarem referências nos Estados Unidos, Europa, Canadá, me renderia. O problema do Brasil é o modelo político. Temos que ter um novo modelo político que implemente o presidencialismo mitigado com o parlamentarismo'', afirmou. O tucano disse ainda considerar ''interessante'' a PEC, de Eunício Oliveira (PMDB-CE), que obriga ocupantes de cargos executivos que se candidatem a qualquer cargo eletivo, a se desincompatibilizarem dos cargos seis meses antes das eleições. ''Mas vejo que essa da desincompatibilização perderia o efeito quando acabarmos com a reeleição. Prefiro o fim imediato da reeleição no Executivo'', disse.
Canziani duvida que as propostas sejam implementadas. ''Existem milhares de propostas da Câmara. Tem de tudo, mas uma coisa é ter proposta e outra é chegar a ser apreciada e aprovada. Duvido que sejam implementadas'', apostou. O petebista também é contra a limitação de reeleição no Legislativo. ''No Legislativo, você acumula experiência ao longo dos anos, conhecimento das matérias, da estrutura do governo, trazendo mais benefícios para o Estado. A cada quatro anos tem que passar pelo crivo da população'', opinou. ''Já termos mecanismos para impedir o uso da máquina em favor de um candidato.''
Os estreantes na Câmara dos Deputados, André Vargas (PT) e Barbosa Neto (PDT), se mostraramm mais abertos às proposições. ''Temos que discutir uma reforma política no País. Sou favorável não ao limite (de reeleições para o Legislativo) absoluto, mas para o mesmo cargo. Uma reeleição para mim seria razoável mas não quer dizer que não poderia voltar depois'', afirmou. Vargas não apóia a desincompatibilização para detentores do mandato no Executivo. Segundo ele, isso reduziria para três anos e três meses os mandatos.
Já na opinião de Barbosa Neto, ''políticos não devem se perpetuar no poder''. ''Cada um deve ter sua profissão e encarar como missão o mandato político. Fui deputado estadual uma vez e estou saindo para federal. Mais do que dois mandatos consecutivos é muita coisa, não é justo. Pelas leis atuais os que estão no poder têm mais chances de se eleger'', avaliou. Barbosa ainda defende que os mandatos no Executivo deveriam ser de cinco anos sem reeleição. ''Acredito que a reforma política deve estabelecer a coincidência de mandatos e aumentando para cinco anos o mandato no Executivo e sem reeleição'', afirmou. (C.O.)





