Curitiba - Os gargalos da infraestrutura no Paraná acabaram convergendo as propostas dos dois principais candidatos ao governo do Estado, Beto Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT), ''sabatinados'' ontem pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). As soluções de ambos passam por esforços na obtenção de recursos federais para as obras e, também, na formação de parcerias público privadas, quando necessárias. Os dois falaram separadamente com os empresários, durante quase 2 horas cada um, e receberam uma documento da Fiep, com sugestões do setor ao Paraná para os próximos quatro anos.
Candidato apoiado por Roberto Requião (PMDB), Osmar admitiu ''divergências'' com o agora aliado, ao falar para a plateia de empresários. ''É melhor ter ferrovia em regime de concessão do que não ter. O presidente Lula disse que já encontrou as empresas, basta o governo estadual querer'', afirmou ele.
A questão da malha ferroviária também serviu para Beto ''alfinetar'' o adversário. O tucano lembrou da briga entre Roberto Requião (PMDB) e Paulo Bernardo (PT), na qual o peemedebista declarou que o ministro de Lula propôs ao Paraná uma obra ferroviária superfaturada. Antes, já havia declarado que não tinha ''nada contra parcerias público privadas''. ''Não tenho visão retrógrada e fundamentalista'', atacou ele. Segundo o tucano, o Estado não estaria qualificado para obter recursos federais, e por ''preguiça ou falta de sensibilidade''.
A existência de recursos federais não aproveitados foi reconhecida por Osmar. Ele citou o Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), ''que tem muito dinheiro, mas não vem para o Paraná porque não há projeto'', mas em mais de um momento reforçou a possibilidade de vitória da presidenciável Dilma Rousseff (PT) como uma vantagem na corrida por recursos. ''Eu quero um grande acordo com a Petrobras no Paraná. Vamos gerar no nosso Litoral equipamentos para a exploração do pré-sal'', propôs ele.
Já Beto disse que a sua experiência à frente da administração em Curitiba teria provado que não há interferência política na obtenção de recursos federais. ''Eu enfrentei a questão em Curitiba. Ninguém bateu na minha porta oferecendo dinheiro'', disse ele. O tucano também aproveitou para criticar a gestão peemedebista no Paraná, que, segundo ele, embora afinado com o PT de Lula, não teria obtido vantagens. ''Eu consegui mais recursos federais para Curitiba do que o governo estadual atraiu para o Paraná'', afirmou ele.
Porto de Paranaguá
Como já era esperado, os dois principais candidatos ao governo do Estado também foram unânimes em defender a ''modernização'' do Porto de Paranaguá. Osmar voltou a falar do compromisso da presidenciável Dilma Rousseff com a construção de um cais e do terminal de passageiros, medidas também propostas por Beto. O tucano ainda falou da questão ambiental, citando a recente ameaça de interdição do Ibama no Porto de Paranaguá. ''Vamos fazer uma gestão que recupere a credibilidade do Porto de Paranaguá, arranhada nacionalmente'', disse ele.

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