Proposta sobre Sercomtel causa dúvidas
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quarta-feira, 25 de outubro de 2000
Cláudia Lopes De Londrina 
A reengenharia proposta por Assad Jannani (PPB), candidato a vice-prefeito de Homero Barbosa Neto (PDT) à Prefeitura de Londrina, para a devolução de ações a cerca de 65 mil proprietários de linhas telefônicas da Sercomtel não tem um modelo definido. No programa eleitoral, Barbosa tem mostrado como ficaria o quadro acionário da empresa depois da devolução de 22% do patrimônio de ações a que teriam direito os londrinenses: 43% para a prefeitura e 35% para a Copel.
Assad admitiu à Folha anteontem que existem diversas possibilidades para viabilizar a devolução. Entre elas, a emissão de novas ações, a reestruturação acionária e a transferência de ações. O modelo é cumprir legal e moralmente uma obrigação do município, enfatizou. Vamos fazer o que for mais rápido e menos trabalhoso. O formato vai depender de estudos futuros. Segundo Assad, a Copel não precisa autorizar nem concordar com a proposta. Não depende dela, afirmou.
Caso a opção seja mesmo por uma nova composição acionária, como vem sendo veiculado no programa eleitoral, serão descontados os 22% dos 55% da prefeitura, ou seja, 12,1%; e 22% dos 45% da Copel, que dá 9,9%. Desta forma, o município ficaria com 42,9% das ações e, a Copel, com 35,1%.
A Sercomtel não vai precisar desembolsar recursos e o município não corre o risco de perder o controle acionário, garantiu Assad. Através de uma reestruturação acionária, vamos reduzir os 50% das ações ordinárias da prefeitura para 1/3, ou seja, 33,34%. A Sercomtel devolveria então apenas ações preferenciais (sem direito a voto) aos proprietários de linhas, que poderão vendê-las no mercado.
Assad disse ainda que pretende recomprar as ações da Copel para garantir a soberania da Sercomtel. Ele também quer abrir o capital da operadora com autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para negociar ações em bolsa. Se tiver 16,7% das (ações) ordinárias, o município continua com o controle, calcula.
Assad, que foi diretor-presidente da Sercomtel, entre 1993 e 1996, implantou o novo modelo de telefonia em Londrina, com a locação de linhas. De 1994 a início de 1996, a Sercomtel recomprou as linhas telefônicas por R$ 900,00 cada. Era um valor justo, de mercado. Eu não usurpei ninguém, afirmou. Quando a operadora foi transformada em S/A, em setembro de 96, os 22% foram usados para subscrever as ações do município. A prefeitura se julgou dona de 100% das ações quando só detinha 78%.
Anteontem, a Folha tentou ouvir o presidente da Copel, Ingo Hubert, por telefone. Através de sua assessoria de imprensa, ele declarou que não vai se manifestar sobre o assunto, que está sob análise do departamento jurídico da empresa. Na semana passada, Hubert se posicionou sobre a intenção do candidato pedetista em recomprar as ações da Sercomtel, dizendo que não está nos planos da empresa vender ações da operadora.


