Curitiba - Toda polêmica e o posterior desgaste político decorrentes da criação de um Projeto de Emenda à Constituição (PEC), que vincula os benefícios fiscais concedidos às empresas à manutenção dos empregos, poderia ter sido evitada. Bastaria cumprir uma lei ordinária promulgada em 2007 e que trata do mesmo tema. Na época, o autor da proposta, o então deputado estadual Ratinho Jr. (PSC), tinha como alvo as montadoras de automóveis instaladas em Curitiba, como Audi e Renault, que haviam obtido grandes benefícios fiscais para se instalar no Estado e ameaçavam demitir funcionários.
Diz o texto que as empresas que recebem qualquer tipo de incentivo fiscal por parte do Estado, devem realizar, obrigatoriamente, a ''manutenção do nível de emprego e vedação de demissões consideradas exorbitantes e sem justa motivação'' e a ''aplicação de até 5% do valor dos incentivos fiscais recebidos em programas voltados à qualificação do trabalhador''.
O líder do governo na Assembleia, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), disse que desconhecia o teor desta lei quando defendeu a PEC do governo. Ele não descarta a possibilidade de usar esta medida como instrumento para punir as empresas que demitirem funcionários, caso a nova PEC, proposta pelo deputado Marcelo Rangel (PPS), não tenha parecer favorável da secretaria da Fazenda. Romanelli pediu que a Secretaria analisasse o texto da nova proposta, que especifica que somente serão punidas as empresas que efetuem demissões coletivas acima de 100 funcionários.
Apesar da ''PEC do emprego'', ser de autoria do governo, a lei ordinária de 2007 que trata do mesmo tema não foi sancionada pelo governador Requião.

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