Proposta resistência civil na Argentina
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2002
France Presse 
Buenos AiresA escritora e compositora musical argentina María Elena Walsh convocou ontem à resistência civil e a não continuar alimentando as arcas do Estado, e denunciou os bancos estrangeiros que dispuseram caprichosamente do dinheiro dos poupadores. Em declarações à Rádio 10, a autora das famosas canções infantis Manuelita e El mundo al revés, fustigou o governo do ex-presidente radical Fernando de la Rúa (1999-2001), ao qual qualificou de o pior da história argentina.
De la Rúa e seu ministro da economia Domingo Cavallo, antes de serem derrubados por uma revolta popular em dezembro, puseram sob ferrolho o dinheiro das pessoas nos bancos, medida que se manteve no novo governo de Eduardo Duhalde.
Agora afirmou Walsh estamos onde se via que nos levava o pior governo de nossa história recente, o dos coveiros da Aliança, disse em alusão ao governo encabeçado por De la Rúa, em nome da coalisão entre União Cívica Radical (UCR, social-democrata) e a Frente por um País Solidário (Frepaso, centro-esquerda).
Ela diz integrar uma multidão de ingênuos que supunha que, em caso de fraude ou roubo, a matriz no país de origem se responsabilizasse pelo dinheiro que confiamos a uma sucursal no exterior.
Walsh é uma das mais populares, respeitadas e queridas artistas da Argentina e nos anos 70, em plena ditadura militar, escreveu uma famosa carta na qual denunciava elipticamente o autoritarismo homicida dos governantes.
Manifestações
Quase mil desempregados interromperam o trânsito em pontes que comunicam Buenos Aires à sua periferia pedindo trabalho, e centenas de poupadores portenhos participaram de um panelaço espontâneo no centro da capital pela devolução de suas economias presas nos bancos do país, indicaram as agências locais. Pedindo planos trabalhistas e sociais, alimentos e protestando contra as medidas econômicas vigentes, os desempregados bloquearam as rotas de Noria e Pueyrredón, que unem as cidades à capital. Também impediram a circulação em volta de uma rotatória estratégica na periferia sul, em meio à rota que liga Buenos Aires à cidade de La Plata.
No centro de Buenos Aires, cerca de cem poupadores participaram de um panelaço espontâneo em frente às agências bancárias em Barrio Norte.


