Proposta reduz horário gratuito na TV
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quarta-feira, 18 de junho de 1997
Agência Folha Brasília 
O relator da nova lei eleitoral, Carlos Apolinário (PMDB-SP), disse ontem que deve aumentar o tempo da campanha gratuita na TV e no rádio e diminuir o período de vigência do horário, em relação às eleições do ano passado. Apolinário defende que nas eleições de 98 o horário eleitoral gratuito seja dividido em dois blocos de 1h - um pela manhã e outro à noite - com mais 30min divididos em comerciais durante a programação. Antes, os blocos eram de apenas 30min, somando 1h30min por dia contra as 2h30min propostas pelo deputado.
A campanha não deve ser mais de 60 dias, como a do ano passado, e sim de 45 dias. É uma proposta de meio-termo, disse Apolinário. O PFL quer redução para um mês, e a oposição manter os 60 dias. O deputado reafirmou que só vai dar tempo na TV para os partidos que tiverem representação na Câmara. Disse que estuda destinar um bloco do horário gratuito específico para temas estaduais (com veiculação de governador, senador e deputado estadual) e outro para temas federais (presidente e deputado federal).
Sobre pesquisas eleitorais, Apolinário afirmou que não fará restrições. O veículo terá que divulgar quem pagou a pesquisa e a metodologia, mas não quero censura. Disse que concluirá seu relatório na semana que vem. O parecer terá que ser votado na comissão especial sobre a lei e nos plenários da Câmara e do Senado.
Ontem, a comissão especial organizou um debate com três especialistas em marketing político: Duda Mendonça, Geraldo Walter e Paulo de Tarso Santos. Duda Mendonça, que fez a campanha de Celso Pitta (PPB) à Prefeitura de São Paulo, propôs que os deputados obrigassem as redes de TV a realizar debates entre os candidatos. O debate é o instrumento mais forte da campanha. Há menos influência das assessorias, e os candidatos põem em jogo as idéias e o equilíbrio, disse Mendonça.
Carlos Apolinário afirmou que vai estudar a idéia, mas que a proposta é de difícil execução. Se você obriga os debates, terá que achar meios para que todos os candidatos tenham o mesmo espaço. Sobre o tempo da campanha gratuita, Duda Mendonça disse que a diminuição seria um retrocesso, pois beneficia quem está no poder e já é conhecido.
Geraldo Walter, que costuma fazer campanhas tucanas, disse que os políticos têm muito tempo nas TVs. Com blocos de 30min, você prende o telespectador. Não dá para ele assistir a um filme. Paulo de Tarso Santos - que já fez campanhas petistas - concorda. O tempo das últimas eleições foi um sucesso.


