Proposta é ingênua, diz Pacheco
O coordenador do programa de governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, Carlos Américo Pacheco, qualificou ontem a plataforma de governo lançada anteontem pelo candidato da frente de oposição à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como um documento voluntarista, genérico e ingênuo. Segundo ele, as propostas mostram um grande desconhecimento do que aconteceu com o País nos últimos quatro anos e lembra, na sua opinião, o programa Mãos à Obra apresentado pelo presidente Fernando Henrique na última eleição.
Para Pacheco, o programa é composto de generalidades prevalecendo tanto a idéia de coisas superficiais como ingênuas que caberiam em qualquer programa de governo. O programa não discute como e por que fazer, observou. Por trás de uma suposta generosidade muito ampla, acaba caindo no vazio, acrescentou.
Para ele, não é um pacto entre o governo e o sistema financeiro que irá garantir uma queda nas taxas de juros. A proposta foi levantada pelo assessor econômico do candidato à sucessão presidencial pelos partidos de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, Guido Mantega.
Segundo Pacheco, as taxas de juros dependem muito pouco de um pacto porque existem outras condições que influenciam nas decisões de política monetária, como por exemplo o ambiente externo. Para Pacheco, que é economista da Unicamp, o governo poderia ter baixado as taxas de juros como o fez em momentos anteriores se as circunstâncias da economia internacional fossem melhores.
Ele disse ainda que uma proposta de redução da taxa de juros não está explícita no programa de governo de Fernando Henrique porque isso depende mais da gestão do dia-a-dia da política monetária, embora haja uma inter-relação entre a política monetária e a elaboração do programa de governo.
Em relação ao crescimento da economia de 6% ao ano, proposto na plataforma do candidato da oposição, Pacheco disse que não sabe de onde saiu esse índice. Segundo ele, o importante é definir como crescer e que é difícil para o País crescer mais do que já vem crescendo. Não se pode abstrair as condições objetivas como a necessidade de defender o País de uma crise externa, afirmou o economista.
Ele criticou ainda a carta-compromisso assinada por Lula. Segundo ele, a carta é mais genérica do que a plataforma, além de ser escrita em tom absolutamente sectário. Ainda segundo Pacheco o crescimento econômico do País está relacionado com o balanço de pagamentos. Ele disse que a proposta de governo do presidente Fernando Henrique irá mostrar como construir um superávit significativo. Ele mencionou a meta já anunciada pelo governo de duplicar as exportações até 2003 alcançando o patamar de US$ 100 milhões por ano. A questão central é como viabilizar o crescimento comercial e estabelecer o financiamento do balanço de pagamentos em condições mais nobres como a atração de investimentos diretos.
Pacheco disse que as propostas para o segundo mandato deverão estar concluídas somente em agosto. Em resposta à cobrança feita pelos adversários do presidente, Pacheco disse que o governo está preparando um programa para a sociedade e não para o PT. Segundo ele, o programa trará um balanço do que foi executado nos primeiros quatro anos de governo e como será possível avançar mais. Em muitas áreas, o que vamos propor é a continuidade e o avanço do que vem sendo conduzido pelo governo, afirmou Pacheco.
Ele disse ainda que sua equipe está fazendo agora um grande esforço para produzir os documentos que vão compor esse balanço e as metas. Seria útil para o PT atualizar seus dados, ironizou Pacheco.Lindauro Gomes/AE(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)AnáliseO coordenador do programa de governo da campanha de FHC à reeleição, Carlos Américo Pacheco
Nelson Breve
Agência Estado





