Considerada uma declaração superficial de boas intenções pelas câmaras de comércio da Alemanha e dos Estados Unidos e pelo PNBE, a proposta de política industrial do PT agradou, porém, a ala nacionalista da Fiesp. Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à Presidência, divulgou, na última terça-feira, um documento para discussão chamado ‘‘Diretrizes para uma Política Industrial e de Comércio Exterior’’.
Em linhas gerais, a idéia do PT é assegurar o desenvolvimento da indústria brasileira por meio de taxas de juros baixas, linhas de financiamento de longo prazo, apoio às pequenas e médias empresas, reconstituição das câmaras setoriais, estímulo às exportações, controle das ‘‘importações predatórias’’ e incentivo ao desenvolvimento científico e tecnológico. Para Luiz Fernando Furlan, diretor de comércio exterior da Fiesp, a proposta do PT está ‘‘recheada de boas intenções, mas não coloca o preto no branco’’.
‘‘A proposta tem pontos favoráveis, mas o que a indústria quer é um compromisso para levá-las adiante com metas e prazos.’’ Zeke Wimert, presidente do conselho da Câmara Americana de Comércio de São Paulo, disse que as idéias do PT são ‘‘muito boas’’, principalmente o apoio às pequenas e médias empresas. Criticou, porém, a falta de uma estratégia para transformar as boas intenções em realidade e a sugestão para a volta da discriminação entre empresas de capital nacional e de capital estrangeiro. Ricardo Young, coordenador do PNBE (Pensamento Nacional das Bases Empresariais), disse que ficou decepcionado porque não viu nada de novo na proposta.
‘‘Fiquei chocado ao ver que o documento, feito às pressas, é apenas uma
declaração de boas intenções no nível do bom senso.’’ Segundo Young, o documento omite questões importantes para uma política industrial, entre elas a reforma da Justiça do Trabalho. Ingo Ploger, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha de São Paulo, disse que o programa do PT veio muito em cima das eleições, dificultando o debate das propostas. ‘‘É uma pena porque o processo de discussão é enriquecedor. O PT tem idéias bastante interessantes, tais como a desoneração das pequenas e médias empresas, que poderiam ser aprofundadas.’’
Roberto Nicolau Jeha, secretário-geral da Fiesp e integrante da ala nacionalista da indústria paulista, disse que a proposta do PT está mais próxima das preocupações do industrial brasileiro do que a ‘‘teologia neoliberal’’ de Fernando Henrique Cardoso. Jeha espera que a política de ‘‘adensamento industrial’’, em elaboração pelo secretário-executivo da Camex (Câmara de Comércio Exterior), José Roberto Mendonça de Barros, ganhe mais espaço no provável segundo mandato de FHC.
‘‘Mas essa política ainda é uma promessa. Se tiver de comparar a antipolítica industrial do governo com o projeto do PT, sem dúvida o projeto do Lula é o melhor para a indústria brasileira.’’ Para Jeha, um dos pontos positivos da proposta do PT é o fortalecimento do Ministério da Indústria e Comércio para impedir a continuação do processo de desnacionalização da indústria.
‘‘A proposta do PT passa por um aspecto que é fundamental: um pacto entre a burguesia industrial brasileira e a classe trabalhadora.’’

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