Curitiba – Além de desagradar os servidores, a proposta de reajuste encaminhada ontem à Assembleia Legislativa (AL) do Paraná gerou insatisfação em boa parte dos deputados. Não somente os seis representantes da oposição se manifestaram contrários, mas outros parlamentares acreditam que a discussão em torno da questão ainda vai se estender, inclusive com a possível tentativa de apresentação de emendas para alterar o projeto de lei.
E nem mesmo o apelo feito pelo presidente da Casa, Ademar Traiano (PSDB), por duas vezes durante a sessão de ontem, pedindo uma solução para o impasse e solicitando que os deputados ajam com a "razão" ao invés da "emoção", deve diminuir o clima tenso já instalado na AL. Antes de ir ao plenário, o projeto passará pelas Comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Finanças e, sem o pedido de regime de urgência, a expectativa é de que as discussões na AL se estendam por cerca de 25 dias.
Paranhos, líder do PSC na AL, espera que os colegas de legenda mantenham o compromisso de votar os 8,17%, como foi anunciado há duas semanas. O partido, que possui a maior bancada na AL (12 cadeiras) e faz parte da base governista, havia votado quase que integralmente com o governo em projetos anteriores. Desta vez, ainda não há um posicionamento fechado sobre o reajuste. "Houve uma reunião e um compromisso público, o que podemos fazer é tentar parcelar os 8,17%, este valor é o que nós defendemos. Ou ainda uma negociação, se os servidores aceitarem, do pagamento único destes 3,45%. É preciso discutir e o PSC está propenso a isso. Não estamos propensos a não cumprir aquilo que prometemos, que é ficar do lado do servidor", disse.
Para Márcio Pacheco (PPL), a proposta é muito aquém do que qualquer um poderia esperar. "É uma clara demonstração de que não há interesse de resolver problema. Há uma tentativa de afrontar os servidores e prejudicar todo Estado", afirmou. Segundo ele, o governo conseguiu recuperar a arrecadação com o aumento do IPVA, ICMS, taxação sobre aposentados, além de já ter tido acesso a valores do Fundo Previdenciário. "Esta proposta terá dificuldade de avançar na Casa´´, apontou.
Já Márcio Pauliki (PDT) ressaltou que alguns pontos do texto enviado à AL ainda precisam ser amplamente debatidos. Entre eles o artigo primeiro do projeto que cita que "a revisão geral anual (data-base) fica condicionada à disponibilidade orçamentária e financeira, ao comportamento da receita do Estado".
De acordo com Tadeu Veneri (PT), a proposta do governo é preocupante e vai ter muita dificuldade de ser aceita no plenário. ``Penso que será um cabo de guerra. Será difícil que nós tenhamos uma solução pacificada´´, diz.
Conforme o líder do governo na Casa, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), a proposta é razoável porque se encaixa no planejamento financeiro do governo, e porque o Executivo ainda terá que pagar promoções e progressões até o final do ano. Para ele, o único fato que suscita um debate no plenário é referente ao parcelamento dos 3,45%.

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