Brasília - O ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, entregou ontem ao presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), a proposta de reforma sindical, feita em parceria com empresários e trabalhadores no Fórum Nacional do Trabalho. Embora Berzoini tenha ressaltado que o gesto era simbólico e que a entrega oficial do documento será feita no próximo dia 2, também na presença do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Cavalcanti disse que considerava a proposta entregue e garantiu ao ministro que as providências para a tramitação do projeto seriam tomadas.
Na visita ao gabinete do presidente da Câmara, Berzoini estava acompanhado dos presidentes das quatro centrais sindicais que apóiam a reforma (CUT, Força Sindical, SDS e CAT) e também pelas principais lideranças dos empresários, como o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro (PTB-PE) e o presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Antônio de Oliveira Santos. A Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), que é contra a reforma e já tinha abandonado as negociações no fórum, não compareceu.
O presidente da CNI, Armando Monteiro, garantiu que o projeto de emenda constitucional terá o apoio do setor empresarial. Ele lamentou, no entanto, que a reforma tenha sido fatiada, com o governo encaminhando primeiro a parte sindical e só depois a trabalhista. ''As duas reformas eram para tramitar simultaneamente'', observou. De acordo com Monteiro a reforma sindical é importante para as corporações sindicais. ''A reforma que interessa ao País é a trabalhista porque é ela que vai influir no sistema produtivo e nas relações de trabalho'', disse. Monteiro cobrou do governo a conclusão e o envio da PEC trabalhista ainda este ano ao Congresso Nacional.
Os presidentes das duas principais centrais sindicais - Luiz Marinho, da CUT e Paulo Pereira da Silva, da Força Sindical - foram contra a posição de Monteiro. ''Só aceitamos discutir a trabalhista depois que a reforma sindical tiver sido aprovada'', garantiram. Os dois sindicalistas querem assegurar uma tramitação rápida para a PEC sindical e, por isso, indicaram como presidente da Comissão Especial que vai ter que ser criada para cuidar da matéria o deputado Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT-SP), tendo como relator o deputado Antônio Medeiros.
Luiz Marinho avaliou que, embora com apoio da maioria das representações de trabalhadores, a reforma sindical vai encontrar resistência até mesmo dentro do partido do governo. ''Alguns resistem'', observou. Segundo o presidente da CUT as mudanças poderiam ter sido mais radicais, como por exemplo acabar de uma vez com a exclusividade de representação dos trabalhadores dada pela unicidade sindical. ''A reforma poderia ter sido mais profunda, mas essa é a reforma possível'', argumentou.
Paulo Pereira da Silva, da Força Sindical, criticou as entidades contrárias às reformas, classificando-as de retrógradas. ''Tem gente que não quer mudar'', disse. Segundo Paulinho, os sindicatos que estão contra não querem perder o dinheiro fácil do imposto sindical, que será extinto e também não querem trabalhar para garantir a representatividade, o que implica em aumento do número de trabalhadores filiados.

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