O secretário de Estado da Fazenda, Giovani Gionédis, classificou de demagógica a proposta do prefeito de Londrina Antonio Belinati (sem partido) de pedir um socorro financeiro de R$ 500 mil ao governo para cada uma das 399 prefeituras do Paraná. Segundo Belinati, o dinheiro - R$ 199,5 milhões - viria da privatização da Copel e daria um fôlego de caixa às prefeituras. ‘‘É totalmente fora de lógica fazer uma proposta dessa. É demagógica e feita por quem não conhece efetivamente os problemas do Estado’’, reagiu Gionédis.
Para o secretário, o valor reivindicado por Belinati também é demagógico. ‘‘500 mil reais para Curitiba não é nada, mas têm prefeituras cuja arrecadação anual não chega a esse valor’’, comparou. A proposta de Belinati foi feita anteontem durante uma reunião com a vice-governadora Emília Belinati (PTB), que contou com a presença de outros 12 prefeitos. O objetivo foi discutir a crise nas prefeituras e propor alternativas.
O secretário disse que o Brasil está vivendo uma ‘‘revolução financeira’’ e seria desnecessário fazer grandes análises sobre as finanças. ‘‘A economia deu um giro de 360 graus e cabe aos governos federal, estadual e municipal se adequarem’’, pregou. Ele disse que o ajuste pelo qual passam os governos federal e estadual também têm de ser feito pelas prefeituras. ‘‘Todas têm o dever de fazer o que estamos fazendo: um ajuste sério com redução de cargos comissionados e de salários, corte de pessoal, de custeio e de investimentos’’, orientou.
Ele disse que nas prefeituras das pequenas cidades, onde não existe pessoal especializado para orientar os prefeitos na execução do ajuste, o governo pode prestar assessoria técnica. ‘‘O Estado está à disposição para auxiliar através das secretarias da Fazenda e do Planejamento’’, afirmou.
Segundo ele, os municípios precisam trabalhar com uma ‘‘nova mentalidade administrativa’’. Na opinião dele, o Estado já está fazendo a sua parte em relação às prefeituras quando mudou, no ano passado, o índice de participação do ICMS, beneficiando os municípios menores.
Em relação a uma das principais reivindicações dos prefeitos reunidos com a vice - a liberação imediata dos recursos de convênios assinados com o governo - Gionédis disse que não há viabilidade prática para esse atendimento. ‘‘Se estamos passando por um processo de ajuste, reduzindo despesas, não há lógica que se façam obras e investimentos. Os convênios continuam existindo, não serão cancelados, mas só serão liberados quando o Estado tiver fôlego financeiro’’, disse ele, sem estimar prazo.
Ele explicou que todos os convênios têm previsão de serem pagos através da fonte 25, referente à venda de ações da Copel. Na avaliação do secretário, o processo de privatização da Companhia Paranaense deve levar mais de um ano. O secretário disse ainda que apenas 30% dos recursos da privatização da Copel irão para investimento, enquanto os outros 70% serão destinados à capitalização do novo Fundo de Previdência do Estado.
O governador Jaime Lerner (PFL) não quis comentar a proposta de Belinati. Ele disse ontem que está tratando de ‘‘assuntos sérios para o País’’.

mockup