Proposta da FGV aumenta salários e mantém 435 comissionados
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terça-feira, 12 de maio de 2009
Eugênia Lopes<br>Agência Estado 
Brasília - Duzentos e cinquenta mil reais gastos e 35 dias depois, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) apresentou ontem uma proposta de reforma cosmética na estrutura administrativa do Senado, com previsão de aumento de salários de um punhado de diretores e a manutenção de 435 funções comissionadas, a maioria delas ocupadas por funcionários de carreira apadrinhados de senadores.
A proposta da FGV esvaziou o poder do diretor-geral da Casa, que terá suas funções limitadas à área de administração. É o fim da chamada Era Agaciel, o ex-diretor Agaciel Maia que, durante 14 anos, comandou o Senado, inchando a estrutura administrativa da Casa, hoje com 110 cargos com a denominação de diretor, segundo detectou o estudo.
Com 124 páginas, a proposta de reestruturação do Senado retira poder da Diretoria-Geral da Casa que perderá o comando de 20 subsecretarias, ficando com seis departamentos em sua estrutura. Será criada a secretaria de Tecnologia, que terá como subordinados o Prodasen e a Gráfica do Senado. Estes dois, porém, continuarão com autonomia administrativa, financeira e orçamentária. O Instituto Legislativo Brasileiro (ILB), onde hoje está lotado Agaciel Maia, e o Centro Integrado de Estudos do Legislativo serão fundidos e passarão a integrar o Unilegis.
O trabalho da FGV foi garroteado pelo próprio Senado, que estabeleceu os limites da consultoria. O título do documento apresentado pela Fundação reflete essa situação: Revisão da Estrutura Organizacional Administrativa e Sistemática de Classificação e Remuneração de Cargos de Provimento em Comissão e Funções Comissionadas.
Pela proposta da FGV, os cargos com a denominação de diretor serão drasticamente reduzidos: serão somente sete, contra 41 que, hoje, efetivamente exercem a função de direção. A maioria dos cargos restantes não será, no entanto, extinta, tendo apenas o nome alterado. Além disso, cinco desses novos diretores ganharão um aumento de salário: será criada uma nova função gratificada, a FC9 A, cujo valor passará dos atuais R$ 4.458,26 para R$ 4.717,64. O diretor-geral e o secretário-geral continuarão a receber uma função comissionada maior, a FC 10, no valor de R$ 4.953,93.
Segundo o supervisor do estudo da FGV, Bianor Cavalcanti, as funções comissionadas do Senado serão reduzidas das atuais 622 para 435 - ou seja, uma diminuição de 30%. Ele calcula um corte de gastos de R$ 650 mil por mês com a redução do número de funções comissionadas. O orçamento anual do Senado é de R$ 2,7 bilhões.
A redução de despesas não é significativa, disse Cavalcanti. Não se tratam de cortes levianos. O Senado não é o tipo de Casa que pode se sujeitar a cortes pirotécnicos que comprometam o seu funcionamento, observou o supervisor da FGV. Os salários de diretores do Senado variam conforme o tempo de serviço e o cargo efetivo que são enquadrados na estrutura da Casa. Em média, um diretor recebe R$ 20 mil mensais.
Pela proposta da Fundação, das 38 secretarias hoje existentes, 14 serão eliminadas. As 22 secretarias restantes terão apenas o nome alterado para departamento, assessoria e controladoria coordenação. Duas secretarias são mantidas, a Secretaria de Comunicação e a nova Secretaria de Tecnologia.
Seus ocupantes continuarão a ganhar a mesma função gratificada - um FC 9, correspondente a R$ 4.458,26. Das 73 subsecretarias, 55 serão convertidas em coordenações e 18 eliminadas. Só que as coordenações, que hoje são em número de 15, saltarão para 55 com seus titulares ganhando função comissionada (FC 8) no valor de R$ 4.128,02.
A proposta de reforma administrativa do Senado não deverá ser implantada tão cedo. O presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), anunciou que a proposta ficará agora 30 dias para consulta na internet. Depois serão dados mais 30 dias para apresentação de ideias para melhorar a proposta. Não sou daqueles que gosta de soltar fogos de artifício nem usufruir de providências como essa para promoção pessoal. Não iremos fazer disso um espetáculo, mas é uma reforma de profundidade. Em poucos meses reduziremos a 40% a estrutura atual, afirmou Sarney, ao divulgar o estudo da FGV. Mal os técnicos da Fundação começaram a explicar a proposta, Sarney saiu da sala e não deu entrevistas.
As críticas mais fortes feitas na proposta apresentada pela Fundação foram dirigidas à diretoria-geral do Senado. A atual estrutura revela uma certa exacerbação da Diretoria-Geral para além do suporte administrativo - sem contar a proliferação de unidades de suporte administrativo nas áreas fim e corporativa, diz a introdução do estudo. A FGV também detectou que várias alterações feitas na estrutura do Senado ao longo dos últimos anos não passaram pelo crivo do plenário da Casa.


