Propinoduto do Rio teria ramificação em São Paulo
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quarta-feira, 27 de agosto de 2003
Agência Estado 
Brasília- A Corregedoria-Geral da Receita Federal anunciou ontem que investigará uma possível ramificação do ''propinoduto'' do Rio no Estado de São Paulo. A nova investigação faz parte dos resultados obtidos com a auditoria de 350 trabalhos de fiscalização, realizados nos últimos cinco anos pelos oito fiscais da Receita Federal lotados no Rio acusados de enriquecimento ilícito por causa da descoberta de depósitos bancários avaliados em US$ 33,4 milhões no exterior em nome desses funcionários públicos. A Corregedoria calcula que o propinoduto fluminense causou um prejuízo de, no mínimo, R$ 200 milhões ao erário entre 1998 e 2002.
A auditoria no trabalho dos oito fiscais fluminenses, encerrada ontem, começou em fevereiro e concentrou-se em 17 empresas que apresentavam ''indícios veementes de irregularidades graves'', disse o corregedor-geral da Receita, Moacir Leão. Dessas 17 empresas, duas são de São Paulo, para onde funcionários da Receita no Rio se deslocaram com o objetivo de praticar os ilícitos fiscais.
Segundo Leão, gerentes de ''uma grande fábrica de automóveis multinacional'', com sede em São Paulo, declararam aos auditores da Corregedoria ter recebido a visita de um fiscal do Rio acompanhado de um fiscal paulista. Os dois fiscais exigiram propina para não multar a montadora, cujo nome Leão não quis revelar.
Quando a montadora recusou o suborno, os fiscais lavraram uma multa de cerca de R$ 500 mil e ofereceram consultoria para derrubar a autuação no Conselho de Contribuintes. A montadora, então, denunciou os fiscais à Corregedoria.
A outra empresa paulista é uma grande loja de departamento que foi multada em valor irrisório, diz Leão, também incluída entre as autuações das quais participaram os fiscais do propinoduto fluminense.


