Imagem ilustrativa da imagem Propinas pagas por concessionárias levaram à supressão do Contorno Norte de Londrina, diz MPF
| Foto: Marcos Zanutto/Arquivo FOLHA



O pagamento de propinas das concessionárias de rodovias ao ex-governador Beto Richa (PSDB), que chegariam a R$ 2,7 milhões, conforme apuração da força-tarefa da Operação Lava Jato no âmbito da Operação Integração, teriam resultaram em aditivos que beneficiaram as operadoras de pedágio no Paraná. Três destas alterações levaram à supressão da execução do Contorno Norte em Londrina pela Econorte, além de regularizar quatro degraus tarifários que encareceram as tarifas além do previsto.

Ao relatar o caso para fundamentar a prisão preventiva de Richa e Ferreira, o juiz substituto da 23ª Vara Federal em Curitiba, Paulo Sérgio Ribeiro, elencou fatos levantados pelo Ministério Público Federal que indicam a ligação entre o ex-governador e as concessionárias, como a suspensão de 140 ações contra as empresas de pedágio logo no primeiro ano de governo, após receber R$ 2 milhões em doações de campanha da Construtora Triunfo (controladora da Econorte) e da empreiteira Camargo Corrêa, acionária da Rodonorte.

Ao longo dos dois mandatos, o MPF anotou um total de 25 termos de ajuste, aditivos ou protocolos de informações a favor das concessionárias: seis para a Ecovias; cinco para a Caminhos do Paraná; quatro para Econorte, para a Ecocataratas e para a Rodonorte; e dois para a Viapar. No caso da Econorte, ficou evidenciado que as alterações levaram a quatro pedágios tarifários e à supressão da construção do Contorno Norte de Londrina. A obra prevista no contrato original a um custo de R$ 22,6 milhões seria executava em pista simples entre 1998 e 2002, com previsão de duplicação em 2016, a um custo de R$ 31 milhões. As desapropriações também seriam feitas pela concessionária, a um custo estimado em quase R$ 3,04 milhões.

Postergado, o Contorno Norte de Londrina foi definitivamente excluído do contrato em 2018 no "Sexto Termo Aditivo", sem redução nas tarifas. Como "contrapartida", foi antecipada a duplicação do trecho Cornélio Procópio-Jacarezinho, previsto inicialmente para 2019.

No caso da Rodonorte, durante o governo Richa, houve a desobrigação de execução do contorno de Apuracana e da duplicação de cem quilômetros de rodovia.

Ainda na fundamentação, o magistrado retoma a ligação do ex-governador com as concessionárias e com seu principal representante no Paraná, João Chiminazzo Neto, então diretor da ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias) e nomeado ao Conselho Consultivo da Agepar (Agência Reguladora do Paraná). Segundo as investigações do MPF, Chiminazzo operava os pagamentos de propina em espécie pelas concessionárias de pedágio.

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