Propaganda eleitoral já 'pesa' na decisão do eleitorado
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de setembro de 2018
Guilherme Marconi<br>Reportagem Local 

A propaganda eleitoral para o governo do Paraná já começa a influenciar a decisão do eleitorado, como demonstraram as últimas pesquisas. Os candidatos também traçam as estratégias para tentar chegar aos indecisos.
Para o cientista político e professor da PUC-PR, Mário Sergio Lepre, o crescimento das intenções de voto para Ratinho Junior (PSD) demostra que a propaganda eleitoral no rádio e na televisão - iniciada no dia 31 de agosto - ainda tem peso sobretudo para o eleitorado das classes C e D. "Até então o eleitor não estava ligado nas candidaturas. Apesar de poucos até agora, os programas atingiram um eleitor que estava desinformado sobre este processo eleitoral."
A pesquisa Radar encomendada pela ADI-PR (Associação dos Jornais Diários do Interior do Paraná), divulgada na quarta-feira (5), mostrou Ratinho Junior com 40,4% das intenções de voto. Cida Borghetti (PP) aparece em segundo lugar, com 15,5% dos votos, seguida por João Arruda (MDB), com 5,1%; e Dr. Rosinha (PT), com 3,3%.
O professor de ética e filosofia política da UEL, Clodomiro Bannwart, salientou que mesmo com a grande influência das redes sociais, a propaganda gratuita ainda é preponderante na decisão do eleitorado. "Nos coloca dentro do processo em si", salienta. Entretanto, o curto período desta campanha e o conteúdo das peças publicitárias não aprofundam o debate. "Essa mudança na lei eleitoral trouxe esse aspecto como ocorreu na (última) eleição em Londrina, que foi definida no primeiro turno. Infelizmente, é um elemento ruim. Quando as discussões começam a esquentar de fato, não dá tempo do eleitor amadurecer o voto."

ESTRATÉGIAS
Nos programas que foram ao ar os candidatos já demonstraram suas estratégias. Apesar de ter feito parte do governo Beto Richa (PSDB), como secretário de Desenvolvimento Urbano, Ratinho Junior procurou se apresentar como um personagem novo na política do Paraná para interromper a "dinastia" de algumas famílias no comando do Estado há 30 anos.
"Há uma simpatia, pelo nome que ele carrega do pai (Carlos Massa- Ratinho, apresentador de TV) e como ele se apresenta. Apesar de não ser novo, o eleitor não está fazendo essa ligação", diz Lepre.
Bannwart também avalia que o candidato do PSD tem em seu favor o fato de ser "comunicativo" e já possuir essa capacidade de "carregar votos".
Já a campanha de Cida - que tem o maior tempo de rádio e televisão - trouxe bandeiras como da "mulher" e da "segurança". O programa também tem destacado o equilíbrio fiscal conquistado pela atual gestão como diferencial. "Ela acaba carregando o bônus e o ônus por estar no governo e acaba tendo menos liberdade", analisa Bannwart.

ATAQUES
João Arruda tentou se colocar como principal nome da oposição na disputa e apresentou algumas "ataques" ao relembrar a "batalha" no Centro Cívico contra os professores que protestavam no 29 de abril de 2015. "Apesar de ser um fato negativo, principalmente para este segmento, é um evento semelhante que ocorreu com o senador Alvaro Dias há 30 anos e, aparentemente, não deve gerar mudança significativa na decisão do eleitor" avalia Bannwart.
"Acho que é uma das oportunidades que a campanha dele (Arruda) tem de mostrar o passivo do último governador e pode ser rentável " pondera Lepre.
O cientista político também questiona a estratégia do candidato do PT, Dr. Rosinha, que usou o tempo para ressaltar a "imagem" do ex-presidente Lula. "Não sei se aqui no Paraná é uma boa (usar a imagem de Lula). Em estados do Nordeste pode até funcionar."
Bannwart também crítica os candidatos que tendem a usar o discurso de "gestor" para atrair o eleitorado, sem ter propostas definidas. Para os candidatos que estão atrás nas pesquisas, outra estratégia é pluralizar a pauta e fragmentar temas para atingir vários segmentos. "Acaba não dando clareza das ideias do candidato e aumenta a complexidade da escolha."



